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Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Por que mesmo pagando pouco, investidor quer a caderneta

Regina Pitoscia

05 de junho de 2020 | 04h14

Os investidores voltaram com apetite à caderneta de poupança nos dois últimos meses. Mais do que pelo rendimento, pela segurança que essa aplicação pode representar em um momento de tantas incertezas.

Em abril, mês que seguiu ao do pânico e das turbulências que varreram o mercado financeiro, provocadas pelo temor com a pandemia do coronavírus, a caderneta de poupança teve uma captação líquida de R$ 30,5 bilhões. O saldo positivo é a diferença entre depósitos no valor total de R$ 215,4 bilhões e saques de R$ 184,9 bilhões naquele mês.

Em maio, a captação líquida foi ainda maior e bateu recorde desde o início da série histórica de seu desempenho, em 1995: os depósitos superaram os saques em R$ 37,2 bilhões. Assim, a entrada líquida de recursos no segmento alcançou o total de R$ 63,9 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.

Nada mal para uma aplicação que nos dois primeiros meses do ano registrou um total de retiradas superior ao de depósitos em R$ 15,9 bilhões. Isso como reflexo de um movimento de investidores que, decepcionados com a remuneração da própria caderneta, abaixo da inflação, partiu para a bolsa de valores em busca de um retorno diferenciado.

A chegada do coronavírus começou a mudar esse cenário com a queda acentuada das bolsas e instabilidade em outros investimentos que remuneram à base de juros, como os Títulos do Tesouro. Assim, em março, o aplicador parece ter feito o caminho de volta à procura de refúgio na caderneta. Foi quando o segmento passou a apresentar saldo positivo de R$ 12,2 bilhões.

Vale lembrar que esses resultados podem apresentar alguma distorção, já que incluem os depósitos de auxílio emergencial de ajuda em tempos de pandemia que a Caixa fez na conta-poupança para muitos de seus clientes. Foram R$ 31,3 bilhões na primeira rodada de pagamento, mas presume-se que boa parte do que entrou, por essa rubrica, tenha saído pelo resgate dos correntistas.

Na avaliação de especialistas, o vigor da captação positiva da caderneta parece refletir também o ingresso de recursos que migraram   principalmente dos fundos de renda fixa. Embora seja uma modalidade de renda fixa, esses fundos e alguns fundos DI tiveram fortes perdas em março com as turbulências que atingiram os mercados, incluído o de juros.

Quem saiu desses fundos em busca de um porto mais seguro, como a poupança, está perdendo a oportunidade de compensar os prejuízos materializados com os saques. Cessado o período mais intenso de resgates, que desvalorizaram os títulos e levaram, por tabela, à perda do valor das cotas dos fundos de renda fixa e de alguns fundos DI, ocorre agora uma recomposição de valores que passou a tingir de azul o desempenho da maioria esses fundos.

Embora os investidores mais afoitos tenham deixado o rendimento pelo caminho com resgates precipitados em fundos de mais risco, os especialistas consideram a caderneta opção mais seguras para fazer a travessia do período de turbulências e receios trazido pelo coronavírus.

Rentabilidade baixa

Com seu rendimento atrelado à Selic, a taxa básica da economia, e correspondendo a 70% dela, a caderneta pagou de junho do ano passado a maio deste ano, 3,35% ao investidor, segundo dados do Banco Central.  No mesmo período, usando a variação do IPCA-15, que é uma prévia da inflação oficial do País, a inflação acumulada ficou em 1,96%.

Em termos práticos, isso significa que a poupança, embora com rentabilidade quase no chão, conseguiu proteger o dinheiro contra os efeitos corrosivos da inflação, além de proporcionar um ganho real de 1,36% ao investidor.

Atualmente, a caderneta está pagando menos ainda, com uma Selic de 3,0% ao ano: seu rendimento acumulado em um ano é de 2,10%, e no mês, de 0,17%. Só que as projeções indicam novos cortes no juro básico da economia, que pode chegar ao final do ano em 2,25%, segundo estimativas estampadas no Boletim Focus do Banco Central e representam as expectativas dos analistas de mercado. Com uma taxa dessa, o rendimento da caderneta seria de 1,58% ao ano ou 0,13% ao mês.

 

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