Preço de remédio subiu dia 1º. Vá atrás dos melhores preços

Regina Pitoscia

03 de abril de 2019 | 01h12

Está valendo desde o dia 1º de abril o reajuste anual de até 4,33%, autorizado pelo governo, nos preços dos remédios. No entanto, ele não deve ser aplicado imediata e automaticamente em todas as farmácias, especialmente pelas que contam com bons estoques de produtos, adquiridos por preços antigos, portanto mais baixos.

Mas há ainda outro fator determinante para que os remédios não fiquem 4,33% mais caros: a concorrência, que tem aumentado de forma vertiginosa nos últimos anos. Em cada esquina há uma farmácia, em um quarteirão, duas ou três. Não bastasse isso, a venda pela internet também entrou na disputa pelos clientes com preços convidativos.

Vários sites trazem um comparativo de preços de um mesmo medicamento, assim como aplicativos pelo celular. E o consumidor precisa lançar mão da pesquisa e ter a consciência de sua força no momento da compra.

Quem pretende preservar as finanças precisa abandonar a cultura de escolher a farmácia em que vai adquirir os produtos, seja porque está mais próxima da residência, seja pela amizade com os atendentes.

Esses instrumentos eletrônicos podem e devem ser usados porque vão resultar em boas economias, mesmo sem sair de casa. Há diferenças brutais de preço. Tomando como exemplo o Dorflex, um simples analgésico e um dos mais vendidos no País, o preço pode variar até 56% em uma caixa com 36 comprimidos.

Essa diferença é rapidamente identificada em uma pesquisa feita no site www.consultaremedios.com.br, que apresenta 20 opções de compra em grandes redes, sendo que o menor preço é de R$ 11,79 no Drogão Net e o maior, de R$ 18,45 no Droga Raia e Drogasil. Assim como o “Consulta Remédios”, outros sites atuam na mesma linha, como o www.maispreco.com; www.remediobarato.com; www.cliquefarma.com.br; www.multifarmas.com.br;  www.jacotei.com.br.

O “Consulta Remédios” também é aplicativo e pode ser baixado no celular, assim como o FarmaZap, que já identificou diferenças de preços de até 5.000% entre preços da mesma medicação.

O reajuste de 4,33% é superior à inflação oficial registrada nos últimos 12 meses, de 3,89%, medida pelo IPCA. Para chegar ao porcentual máximo de reajuste, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) considera, além da inflação, itens como a produtividade da indústria farmacêutica, alterações no câmbio e gastos com energia elétrica.

O aumento deve ser aplicado sobre a tabela de Preços Máximos do Consumidor (PMC), que está livre para consulta no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, http://portal.anvisa.gov.br/listas-de-precos. A lista é atualizada mensalmente e com ela é possível ter boa ideia de quanto poderá custar o remédio.

Toda e qualquer iniciativa para pagar menos pelos medicamentos é válida e saudável para o orçamento, até porque o reajuste tanto dos remédios quanto de uma série de outros produtos e serviços vem correndo acima da inflação e sempre pesando no bolso do consumidor. A situação se complica para os que têm doenças crônicas e precisam fazer uso contínuo de medicamentos.

Atrás dos descontos

Além de buscar os preços mais interessantes por meio de pesquisas, vale a pena procurar descontos oferecidos pelos laboratórios, que podem chegar a 75% no preço do medicamento para qualquer pessoa, independentemente de idade ou renda familiar. Para ter mais informações e se cadastrar é preciso entrar no site do fabricante e ter em mãos a receita, seu CPF e número do registro do médico no Conselho Regional de Medicina, o CRM.

É possível também fazer o cadastro na própria farmácia no momento da compra ou pedir descontos oferecidos pelos convênios médicos. Vale sempre perguntar a seu médico sobre os laboratórios que oferecem facilidades.

Optar pelos genéricos também pode resultar em economia de até 35% em relação aos chamados remédios de referência, sendo que ambos devem seguir a mesma fórmula.

Programas públicos

O programa “Farmácia Popular”, do governo federal, ficou mantido apenas em farmácias que exibem o cartaz “Aqui tem Farmácia Popular”. A distribuição inclui somente 25 remédios para doenças crônicas como diabetes, asma e hipertensão. Não bastasse isso, a reclamação é grande de consumidores que não conseguem o remédio pelas dificuldades da farmácia em acessar o sistema pela internet.

Para conseguir o remédio na rede particular, é preciso apresentar CPF, receita médica com prazo de validade de até 120 dias depois de passada pelo médico e um documento com foto.

Já o governo do Estado de São Paulo mantém o Programa Dose Certa, que distribui remédio gratuito, desde que receitado por médico do serviço público de saúde. Ele distribui remédios para o tratamento de doenças comuns e de seus sintomas, como verminoses, febre, dor, infecções, inflamações, pressão alta e doenças do coração e anticoncepcionais pelos postos de saúde.

Prefeituras também oferecem medicamentos gratuitos a pacientes cadastrados que apresentem receita com dados do médico. Em São Paulo, o programa chama-se “Aqui tem remédio” e por meio de aplicativo oferece informações sobre onde o remédio pode ser encontrado.