Quanto rendeu e o comportamento de cada aplicação em 2018

Regina Pitoscia

31 Dezembro 2018 | 00h33

Em ano que terminou com a taxa básica de juros, a Selic, no nível histórico de baixa, em 6,50% ao ano, que manteve no chão a rentabilidade no segmento de renda fixa, as aplicações de renda variável, como ouro, dólar e bolsa de valores, não tiveram concorrentes no mercado de investimentos. Como se diz, nadaram de braçadas e chegaram ao fim do ano no topo das mais rentáveis do ano.

O ouro liderou a corrida dos investimentos, com valorização de 16,93%, praticamente empatado com o dólar, com alta de 16,92%, seguido pela Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, com 15,03%. Os de renda fixa, como fundos de renda fixa e DI e caderneta, com rendimento referenciado na Selic, ocuparam as últimas posições do ranking.

A renda variável não enfrentou concorrência direta da renda fixa, mas isso não significa que dólar e ações atravessaram o ano na zona do conforto. Ao contrário. Passaram ora por fortes turbulências e solavancos, ora por momentos de calmaria e otimismo. Saiu-se bem o investidor de sangue-frio que acertou a mão com aposta certeira em relação às tendências desses segmentos.

O vaivém de ambos os mercados, que no fim das contas redundou em vistosas altas do dólar e das ações, foi influenciado por fatos e expectativas externas e domésticas.

No cenário internacional a fonte de incertezas esteve relacionada a dois pontos, principalmente. O primeiro à perspectiva de elevação dos juros americanos e o segundo à tensão pela disputa comercial entre Estados Unidos e China. Ambos com potencial de pressionar a cotação do dólar para cima e a bolsa de valores para baixo.

O contraponto a esses fatores, no mercado de ações, foi sustentado pelo cenário doméstico, cristalizado no otimismo com a expectativa de eleição de um candidato defensor de ideias econômicas liberais e reformas estruturais, personificado por Jair Bolsonaro, enfim vitorioso nas urnas.

Não só. Os investidores se animaram também, no momento seguinte, com os nomes escolhidos por Bolsonaro para os principais postos de sua equipe econômica, a começar do de Paulo Guedes, guru econômico durante a campanha, ungido na primeira hora para o comando do Ministério da Economia. Foram alvo de reação positiva, na mesma linha, as indicações de Roberto Campos Neto, para a presidência do Banco Central, e de Joaquim Levy, para o BNDES.

Investidores e o mercado financeiro esperavam mais, o anúncio das reformas econômicas que estarão na pauta do novo governo e seus principais pontos, sobretudo da previdenciária. Na falta de divulgação das medidas, o mercado entrou em modo de espera, sem deixar de redobrar a cautela e tirar as reformas do foco.

É com estado de atenção que o mercado financeiro vai retomar os negócios do ano novo, já sob a presidência de Jair Bolsonaro. O alvo inicial de interesse são as propostas de reformas e, posteriormente, as articulações políticas para a aprovação das medidas pelo Congresso.

A expectativa geral é que do rumo das reformas, principalmente da Previdência Social, dependerá a trajetória do mercado financeiro, sobretudo de ações e do dólar, no ano que começa.

Renda fixa

O desempenho da renda fixa espelhou um cenário positivo de inflação que permitiu a calibragem, pelo Banco Central, de uma Selic historicamente baixa. Por ser taxa de referência para o cálculo da rentabilidade da renda fixa, aplicações como fundos de renda fixa, DI e caderneta são praticamente nivelados por baixo pela Selic nanica.

O rendimento baixo pode deixar o aplicador desapontado, mas a renda fixa é assim mesmo. Não dá para contar com um rendimento nominal mais encorpado e é preciso torcer para que a inflação não passe por algum repique que suma com o ganho real. Por sorte, a inflação geral bem comportada no ano contemplou com juro real, ainda que residual, todas as aplicações de renda fixa, da caderneta aos fundos de investimento.

Balanço

Confira quanto rendeu sua aplicação em 2018 de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação                                                                Rendimento

1º – Ouro                                                                       16,93%

2º – Dólar                                                                      16,92%

3º – Bolsa de Valores de São Paulo                          15,03%

4º – Euro                                                                        11,84%

5º – Títulos indexados ao IPCA *                               8,01%

6º – IGP-M                                                                      7,53%

7º – Fundos DI **                                                          6,25%

8º – Fundos de renda fixa **                                       6,23%

9º – CDB *                                                                       6,06%

10º – Caderneta                                                              4,62%

11º – IPCA ***                                                                 3,69%

Obs.: * indicativo, bruto

** média, bruto

*** estimativa