Ranking de fevereiro: dólar foi a aplicação mais rentável e a bolsa, a pior

Regina Pitoscia

01 de março de 2019 | 00h14

Considerando os principais acontecimentos do mês, o mercado financeiro reagiu bem, embora com boa dose de cautela, ao texto da reforma da Previdência Social enviado pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes ao Congresso em meados de fevereiro.

As mudanças propostas nas regras da aposentadoria agradaram aos investidores, vieram ao encontro das expectativas gerais e a partir de agora remetem a atenção do mercado financeiro às negociações do governo com o Congresso para a aprovação das medidas.

As articulações políticas ensaiam os primeiros passos e a falta ainda de uma ideia clara da reação e posição dos parlamentares em relação a essas mudanças colocou o mercado financeiro na retranca em fevereiro. Sem sinais mais precisos sobre a reforma, os investidores evitaram tomar decisões que poderiam redundar em perdas.

O sentimento de receio dos investidores ficou cristalizado no desempenho da dupla verde-amarela, formada por ouro e dólar, os mais bem colocados no ranking de investimentos de fevereiro. O dólar acumulou valorização de 2,61% e o ouro ficou pouco atrás, com alta de 1,94%.

Entre os aplicadores, há um convencimento sobre a aprovação da reforma previdenciária, mas existe também um sentimento de certa desconfiança e dúvida com o formato do projeto que resultará no fim da votação, comparado com o texto original que seguiu ao Congresso.

Causam incerteza ainda as alterações que o texto deve incorporar, por iniciativa dos parlamentares, e os efeitos dessa provável diluição da reforma sobre a economia, estimada em torno de R$ 1 trilhão em dez anos, pelas contas do governo.

São dúvidas que deixam o investidor mais cuidadoso e até em estado de prontidão, com a guarda levantada e o dedo no gatilho, o que se reflete na valorização do dólar e, por tabela, do ouro – o preço do grama é calculado pela divisão do valor da onça-troy (31,106 gramas) pelo dólar.

A preocupação com o andamento da reforma, que proporcionou certa movimentação ao dólar, fez o mercado de ações andar em marcha lenta. Sem uma noção mais precisa sobre o rumo que as propostas podem tomar no Congresso, investidores têm reagido a fatos novos pontuais ou se limitado ao giro rápido de papeis para ajuste de carteira, o que limita a mobilidade no segmento de ações.

Nesse ambiente de indefinições, em que faltam fatores alentadores (o principal seria a rápida votação da reforma pelo Congresso) para a compra de ações, mas tampouco encorajam fortes vendas, a Bolsa de Valores de São Paulo ou B3 acumulou desvalorização de 1,86%, ocupando o último lugar no ranking de investimentos.

Balanço em fevereiro

Confira quanto renderam as aplicações no mês que passou, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação                                                     Rendimento

1º) Dólar                                                          2,61%

2º) Euro                                                          2,04%

3º) Ouro                                                          1,94%

4º) IGP-M                                                      0,88%

5º) Títulos indexados ao IPCA                  entre 0,51 e 0,61%*

6º) Fundos DI                                               entre 0,40 e 0,50%*

7º) Fundos de renda fixa                            entre 0,40 e 0,50%*

8º) CDB                                                          entre 0,37 e 0,47%*

9º) Caderneta                                                0,37%

10º) Inflação – IPCA                                   0,34%**

11º) Bolsa de Valores de São Pau lo         -1,86%

Obs.: * rendimento bruto; ** estimativa