Reforma da Previdência: a tônica para bolsa e dólar

Regina Pitoscia

14 de janeiro de 2019 | 00h29

(*) Com Tom Morooka

As cotações do dólar têm rodado em torno de R$ 3,70, pouco acima ou ligeiramente abaixo disso, desde o início de janeiro, sem contar com estímulo para se lançar a maiores altas e tampouco para quedas mais acentuadas.

O motivo para essa aparente apatia está na falta de novidades no tema que mais atrai a atenção dos investidores, a reforma da Previdência Social. O assunto não sai da pauta de interesse do mercado financeiro e da agenda da equipe econômica de governo, mas falta o que é mais esperado: o anúncio de medidas concretas que farão parte do projeto de reforma.

Nesse momento, o rumo das cotações está, portanto, atrelado ao encaminhamento e andamento das propostas no Congresso.

Até lá, prevê o diretor da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, a tendência é que o dólar continue oscilando nos atuais níveis de preço, sem grandes alterações. Mas esse comportamento poderia mudar e a cotação embicar para um nível mais baixo, entre R$ 3,60 e R$ 3,55, se houver uma percepção de aprovação da reforma. “Um movimento de preço que poderia ocorrer até no curto prazo, se houver uma mudança rápida de expectativas”.

De todo modo, isso tenderia a ficar para meados de fevereiro, lembra Cavalcante. Os deputados voltam à atividade em 1º de fevereiro, após o recesso parlamentar, já em um ambiente de disputa eleitoral para a escolha do presidente e dos dirigentes da Câmara, em eleição prevista para 17 de fevereiro.

Por esse calendário interno da Câmara, se tudo correr bem, os deputados devem passar a examinar e a debater as propostas da reforma previdenciária apenas na segunda quinzena, já quase às vésperas do carnaval.

É possível também que, embora com foco em novidades no ambiente doméstico, as cotações do dólar venham a reagir a fatores do cenário internacional. Um deles, aponta Cavalcante, poderia ser os efeitos negativos sobre a economia americana das dificuldades do presidente Donald Trump em aprovar o orçamento que paralisa setores da administração dos EUA.

Uma mudança de expectativas em relação à trajetória dos juros americanos, tanto para cima quanto para baixo, é outro fator que poderia influenciar a trajetória do dólar por aqui.

E a bolsa?

O otimismo persiste, a confiança dos investidores no ministro da Economia, Paulo Guedes, também, mas o segmento de ações igualmente aguarda, e com ansiedade, uma sinalização mais clara das mudanças que poderão vir com a reforma previdenciária. Ao contrário dos efeitos de queda que provocaria nas cotações do dólar, a apresentação de medidas econômicas consistentes serviria para impulsionar novas altas da bolsa de valores.

Embora não exista uma data definida para o seu anúncio, investidores sentem que o processo de divulgação das propostas entra aos poucos em contagem regressiva. Caberia ao governo, o principal interessado na rápida aprovação de mudanças nas regras de aposentadorias, enviar o quanto antes o novo projeto à Câmara, tão logo seja eleito o presidente da Casa.

Enquanto isso, os aplicadores tocam o dia-a-dia de negócios com um olho pregado no cenário internacional, onde ocorrem eventos que mexem com o rumo dos mercados por aqui, e outro atento ao ambiente doméstico.

Os últimos dias, por exemplo, a falta de novidades internamente deixou as bolsas mais sensíveis aos fatos e expectativa de fora do País, como os relacionados à tendência dos juros americanos e disputa comercial entre Estados Unidos e China, principalmente.

O otimismo com o desempenho do mercado de ações está mantido, apesar de alguns ruídos políticos provocados por ideias desencontradas dos integrantes da equipe de governo do presidente Jair Bolsonaro. Persiste a ideia de que a aprovação da reforma da Previdência colocará o País no caminho do ajuste fiscal, processo que atrairia investimentos, levaria à retomada do crescimento, do emprego e da renda.

Um sentimento que é quase uma convicção, ainda que não se conheçam os detalhes das mudanças que dariam abrangência à reforma. E tampouco a quantidade de deputados comprometidos com as mudanças que dariam suporte ao governo para a aprovação no Congresso.

Por causa de indefinições que geram incertezas como essas, a expectativa é que, apesar do otimismo dos investidores, o mercado de ações defina uma tendência à medida que essas dúvidas forem removidas do radar.

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