Rendimento da renda fixa pode cair mais se Selic tiver novo corte

Regina Pitoscia

13 de setembro de 2019 | 03h00

Na próxima quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central define e anuncia a nova Selic. Pelo andar da carruagem, com inflação baixa e economia estagnada, a perspectiva é de nova redução da taxa básica da economia, a questão está mais em saber o tamanho do corte. Dividido entre uma redução de 0,25 ponto porcentual e 0,50 ponto até agora, o mercado passou a apostar em um corte de meio ponto. Com isso, a Selic desceria para 5,75% ou 5,50% ao ano.

O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, reforçou a expectativa de um corte de 0,50 ponto porcentual na próxima reunião do Copom ao declarar que o crescimento da economia brasileira está “abaixo do que gostaria”, dando a entender que uma redução maior do juro básico poderia ajudar a dar um empurrãozinho na atividade. Em tese, juros mais baixos abrem caminho para a tomada de crédito e estímulo ao consumo.

Embora a redução do juro básico reflita uma expectativa de inflação em queda, os ajustes para baixo na Selic resultam, do ponto de vista do investidor, em rentabilidade nominal menor e, por tabela, em estreitamento da margem de ganho real, acima da inflação, na renda fixa.

À medida que essa margem encolhe, como consequência da redução da Selic, cresce o risco de que eventual derrapagem da inflação pelo caminho faça sumir pelo ralo o ganho real, a margem positiva, do aplicador.

Aos atuais níveis, com inflação mensal próxima a zero, 0,19% em julho e 0,11% em agosto, e um acumulado de 3,43% em 12 meses, a renda fixa ainda está garantindo um ganho real. Mesmo a caderneta de poupança com seu rendimento atual de 0,34% ao mês ou 4,20% ao ano consegue proteger o capital contra as perdas da inflação.

Pesquisa semanal

Pelo levantamento do buscador de investimento Yubb (www.yubb.com.br) os papeis de renda fixa para aplicações pelo prazo de um ano estão oferecendo mais do que a poupança, mas em troca proporcionam pouca liquidez (possibilidade de saque).

Se a queda da Selic for confirmada, é possível que esses papeis venham a reduzir ainda mais essa remuneração, que vai relacionada abaixo, dos dez papeis mais rentáveis encontrados no Yubb, por um período de 12 meses. Trata-se de uma busca rápida e prática, em que o interessado informa o valor e o período da aplicação para receber dados completos sobre o título: seu emissor, a plataforma de investimento que o está negociando, a rentabilidade bruta e a líquida, depois do desconto do imposto de renda, uma comparação de rentabilidade com a caderneta e ainda o grau de risco envolvido na operação.

                               Os mais rentáveis – prazo 1 ano

Emissor/tipo            Plataforma           Rend. líq. ano     Aplicação mín. R$ 

Máxima/LCI             Nova Futura Inv                  5,29%                       500,00

Máxima/LCI             Ourinvest                              5,29%                       1 mil

ABC/LCA                   ABC Personal                       5,24%                       1 mil

Pan/LCI                     Pan                                         5,23%                       100,00

Maxima/CDB            Órama                                   5,19%                       1 mil

BMG/CDB                 BMG Invest                          5,15%                       1 mil

Portocred F./LC       Poupa Brasil                         5,11%                       1 mil

Máxima/CDB           Nova Futura Inv                   5,11%                      500,00

BTG Pactual/LCI      BTG Pactual Inv.                4,92%                      1 mil

BTG Pactual/LCA     BTG Pactual Inv.                4,89%                      1 mil

Fonte: Yubb

Selo de qualidade

Embora sejam aplicações que contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra da instituição financeira que emitiu o título, o investidor deve também buscar informações sobre as plataformas que estão oferecendo esse título.

Algumas delas, ligadas a bancos ou corretoras que atuam no mercado há um bom tempo, são mais facilmente identificadas pelo investidor. Outras, no entanto, são fintechs, empresas de tecnologia que oferecem produtos financeiros e desconhecidas do grande público. Todas elas estão sujeitas a normas da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.

Mas, além disso, o próprio segmento das fintechs tem interesse em promover uma autorregulação que resulte em transparência de atuação e, portanto, maior credibilidade dessas empresas. A Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) em parceria com a empresa de tecnologia IT2s Group acaba de lançar um selo de qualidade voltado à segurança de dados.

Ele será concedido às fintechs que seguirem as boas práticas de segurança elaboradas pelo Programa Fintech Segura, e em três níveis: no primeiro, receberão o selo as empresas que assinarem um termo de compromisso de que vão seguir as determinações do manual; no segundo, as que passarem por um processo de certificação na implementação dos controles; e no terceiro, as que já tiverem passado por processos de auditoria e recebido alguma certificação.

“O objetivo é dar transparência ao mercado na identificação de empresas que estejam preocupadas com a segurança das informações de seus clientes”, diz o diretor executivo da IT2S, Leonardo Goldim. Para ele, embora seja ligado à segurança da informação, o selo traz um valor agregado ao indicar também que a empresa é filiada à ABFintechs e, portanto, já submetida a uma regulamentação.