Retorno da renda fixa deve cair mais. Onde estão as melhores opções

Regina Pitoscia

18 de outubro de 2019 | 01h09

A passagem da inflação para território negativo, em – 0,04% no mês de setembro depois de ter ficado em 0,11% em agosto, amplia o espaço para nova queda dos juros até o fim do ano.  A deflação indica também que a economia permanece desaquecida, sem sinais de uma recuperação mais vigorosa.

Por isso, além de um corte de mais 0,50 ponto porcentual na Selic, que está rodando em 5,50% ao ano, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), já indicada em comunicado do Banco Central (BC), nos dias 29 e 30 de outubro, as projeções do mercado antecipam um corte adicional, do mesmo tamanho, no último encontro do Copom no ano, marcado para os dias 10 e 11 de dezembro.

A ideia de boa parte do mercado é que a Selic feche 2019 em 4,50% ao ano, nível em que os investidores estariam apostando de acordo com a   sinalização dos contratos futuros de juro com prazo de um ano.

Os investidores que aplicam na renda fixa já podem ir contando, portanto, com juros nominais e reais, descontada a inflação, cada vez mais baixos. Em setembro, com uma inflação abaixo de zero, o rendimento nominal das aplicações no mês foi para a conta do investidor como real, positivo. Até o rendimento nominal mensal de 0,32% da caderneta reforçou, como ganho real, o poder aquisitivo do saldo da conta.

Setembro foi um mês que trouxe certa alegria ao poupador, mas é preciso ter em conta que, à medida que a Selic for encolhendo, mais baixa se torna também o rendimento da caderneta.

Para uma Selic anual de 5,0%, a taxa mensal equivalente desliza para 0,41%, nível que vai nortear o juro praticado entre os bancos nos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), ou simplesmente DI. Por sua vez, esse novo patamar vai balizar os juros oferecidos nos títulos e fundos de renda fixa. A remuneração da caderneta, equivalente a 70% da Selic, será reduzida para 0,29% ao mês, ou 3,5% ao ano.

Poderá conseguir uma rentabilidade superior a esses níveis, o aplicador que tiver condições de empregar o dinheiro por prazos bem mais dilatados, de 2, 3, 6 ou mais anos. Para esses prazos, a rentabilidade poderá superar a Selic e com boa margem.

Na pesquisa semanal feita pelo buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br) é possível verificar que para prazos entre 7 e 10 anos a remuneração oferecida é bem mais interessante, tanto por papeis emitidos por instituições financeiras (CDB e RDB), como pelo governo (Títulos do Tesouro) e empresas (debêntures).

O diretor-executivo do Yubb, Bernardo Pascowitch, destaca que há poucas opções para esses prazos mais alongados. Assim, o investidor interessado em formar uma poupança de longo prazo, como uma aposentadoria complementar, pagamento de estudos de um filho ou neto na faculdade, e assim por diante, terá limitações na escolha. “Há poucos emissores desses papeis, apenas os bancos Máxima, BMG e Pine oferecem produtos com prazos mais dilatados para o investidor que pretende, inclusive, fazer um planejamento financeiro”, diz ele.

Embora haja mais oferta de debêntures com prazo entre 10 e 15 anos, o diretor chama atenção para a sua baixa liquidez: “Não são todas as debêntures que oferecem possibilidade de resgate antecipado e, além disso, o mercado secundário desses títulos é muito limitado”. Incertezas em relação ao cenário macroeconômico do País também são um fator de risco para esses papeis.

Ao mesmo tempo, ele explica que há várias e boas alternativas para quem quer aplicar no longo prazo em Títulos do Tesouro amarrados ao IPCA, com vencimento até 2050.

Aplicações de longo prazo

                                          de 7 a 10 anos, até R$ 5 mil

Emissor               Distribuidor   Rendimento(*)  Prazo    Valor mínimo(R$)

Avista F.(RDB)          Avista Finan.          8,69%                10a               1 mil

Bco Máxima(CDB)   Nova Futura            8,15%                  8a               500,00

Bco Máxima(CDB)   Ourinvest                 8,15%                  8a               1 mil

Rumo S/A(Db)          Modalmais              7,43%                  9a4m         1.095,74

Bco Pine(CDB)          BTGPactual             7,36%                  7a               5 mil

Engie Bras.En.(Db)  Modalmais              7,22%                 10a              1.053,87

Bco Pine(CDB)          Nova Futura            6,93%                  7a               5 mil

Bco BMG                    BMG Invest.            6,85%                  9a10m       1 mil

Bco Pine                      Ourinvest            6,78%                       7a               1 mil

Tes. Nacional(TT)     Corretoras(**)    6,12%                     10a               39,37

Fonte: Yubb

(*) Rendimento líquido ao ano

(**) Todas corretoras habilitadas a oferecer Títulos do Tesouro