Retorno da renda fixa deve cair mais. Vá atrás do mais rentável

Regina Pitoscia

06 de dezembro de 2019 | 00h28

Na próxima semana, se tudo correr de acordo com as previsões do mercado financeiro, a taxa Selic deverá passar por novo corte de 0,50 ponto porcentual, e cair para 4,50% ao ano. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelo presidente e diretores do Banco Central (BC), anuncia em que nível ficará o juro básico da economia até a primeira semana de fevereiro de 2020.

Como efeito imediato em aplicações de renda fixa, a considerar esse novo piso histórico dos juros no País, o rendimento da caderneta emagrece mais um pouco, e dos atuais 3,50% cairá para 3,15% ao ano, o que equivale a 0,26% ao mês. Isso porque a sua remuneração guarda uma correspondência direta com a Selic, valendo 70% dela. Papeis e fundos de renda fixa que remuneram à base de juros também são afetados com mais essa queda dos juros.

É um novo contexto do mercado que, segundo analistas, tende a prevalecer por muito tempo, já que, até onde é possível enxergar, a inflação deve manter-se contida, com um ou outro solavanco. Não há efeitos artificiais em preços dos combustíveis ou energia, nem no câmbio, portanto, não há represamento que precise ser compensado mais à frente.

E se a inflação fica acomodada não há por que elevar os juros, estratégia adotada pela autoridade monetária para conter a alta dos preços na medida em que torna o crédito mais caro, esfriando a economia. As projeções do mercado financeiro para a inflação, estampadas no último Boletim Focus do Banco Central, são de 3,52% para este ano e de 3,60% para 2020, portanto, abaixo da meta a ser alcançada pelo governo, de 4,25% e 4,0% respectivamente, neste e no próximo ano.

O investidor que sempre viveu no conforto da renda fixa, sem correr risco, com ganhos reais robustos precisa se acostumar a essa realidade bem diferente, trazida pelos juros mais baixos. Aplicar por prazos mais longos na renda fixa ou arriscar-se um pouco na renda variável são duas estratégias cabíveis a quem tem o interesse de obter uma remuneração diferenciada.

A divisão de recursos entre os mercados seguiria, então, o critério de uso do dinheiro. O mantido como reserva para utilização no dia a dia ficaria ancorado na renda fixa, onde obteria pelo menos a correção monetária para preservar seu poder aquisitivo. O dinheiro que pode ficar mais tempo aplicado, mas sem correr risco porque também já está compromissado, pode ir para títulos com prazos mais longos para uma remuneração acima da inflação, com ganho real.

E os recursos com perfil de investimento, sem destinação, a ser esquecido por um bom par de anos poderia ir para ações ou para fundos imobiliários, considerados por parte dos especialistas a bola da vez. Em comum, o desempenho dos dois produtos depende do comportamento do mercado, o primeiro das ações e o segundo da atividade imobiliária, ambos segmentos que tendem a ser beneficiados pelo cenário de inflação e juros baixos.

A expectativa é que a bolsa de valores deslanche de vez com sinais mais claros de recuperação econômica. Afinal, o desempenho da bolsa depende do crescimento da economia, que aumenta o faturamento e o lucro das empresas, que, por sua vez, redundam em valorização das ações emitidas por elas e negociadas no mercado secundário da B3.

Mais rentáveis

No levantamento das opções mais rentáveis em renda fixa para aplicações de até R$ 5 mil e pelo período de 4 anos, feito pelo buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br), seu diretor-executivo, Bernardo Pascowitch, ressalta que as melhores ofertas estão concentradas na XP Investimentos e Rico Investimentos, ambas pertencentes ao Grupo XP. Ao mesmo tempo, é o Banco Indusval que aparece como o emissor dos CDBs com melhor rentabilidade.

“O investidor precisa buscar alternativas de forma recorrente e constante. O que constatamos no Yubb é que instituições oferecem taxas e rentabilidades que podem variar a cada dia.” Ele explica que especificamente nesta semana, foi detectado no buscador um aumento de interesse pelos papeis prefixados.

Comportamento compreensível diante da perspectiva de queda dos juros. Isso porque esses papeis terão garantido um rendimento maior, calculado com base no nível atual de juros, supostamente superior ao que vier a ser determinado pelo Banco Central a partir do próximo dia 11.

Maior rendimento

Aplicações por 4 anos

Emissor/tipo             Distribuidor       Rendimento (*)      Aplic. Mínima R$

Indusval/CDB                     XP Invest.                  7,45%                                 1 mil

Indusval/CDB                     Rico Invest.               7,45%                                 1 mil

Indusval/CDB                     Órama                        7,45%                                 5 mil

Indusval/CDB                     Rico Invest.               7,43%                                 1 mil

Avista Financ/LC               Rico Invest.               7,33%                                 1 mil

BRK Financ/LC                  Órama                        7,16%                                 5 mil

C6Bank                                BTG Pactual               6,88%                                1 mil

Omni/CDB                         XP Invest.                   6,76%                                 1 mil

Agoracred/LC                    XP Invest.                   6,76%                                 1 mil

Luso/CDB                           XP Invest.                   6,76%                                 1 mil

(*) Rendimento líquido ao ano

Fonte: Yubb