Riscos de perdas e oportunidades de ganho na turbulência do mercado

Regina Pitoscia

22 Agosto 2018 | 00h33

O agravamento de incertezas internacionais e o aumento de tensão política, com a largada e divulgação de pesquisas da corrida eleitoral, tendem a manter o mercado em meio a turbulências, que deverão fortalecer o vaivém de ações, dólar e juros no mercado financeiro. Movimentações que influenciarão o desempenho das aplicações, tanto no mercado de renda variável como no de renda fixa.

A impressão é que uma aplicação de renda fixa, seja em títulos públicos, seja em fundos de investimento formados por esses papeis, não sofre o efeito da dança diária dos juros, seja no mercado à vista, seja no futuro. Convencionou-se, até pelo nome, que seu rendimento será fixo, de acordo com o definido no momento da aplicação.

O conceito de renda fixa puro vale apenas para aplicações com juro pós-fixado, com rendimento calculado no momento do resgate. Em algumas aplicações em títulos com juros prefixados o rendimento contabilizado no dia a dia sofre variações, de acordo com a expectativa futura de juros, em processo conhecido como marcação a mercado que atualiza diariamente o valor dos títulos públicos com juros prefixados.

Essa atualização diária do valor dos papeis que influencia o desempenho dos títulos não afetará o rendimento do investidor se o resgate ocorrer no vencimento da aplicação. Ela só redundará em rendimento menor se o resgate feito no meio do caminho, antes do vencimento, coincidir com um momento de expectativa de alta dos juros e consequente desvalorização dos títulos já emitidos com taxas de juro mais baixas.

O risco de perda nos momentos de instabilidade e vaivém mais intenso dos juros é maior nos títulos de renda fixa com juros prefixados de longo prazo comprados no Tesouro Direto.

Risco de perda

As aplicações que oferecem risco maior de perdas com a instabilidade no mercado financeiro são os títulos de renda fixa prefixados de vencimentos mais longos e a bolsa de valores, além de fundos imobiliários.

Papéis com juros predefinidos que o investidor compra pela internet no Tesouro Direto – como o Tesouro Prefixado (versão no Tesouro Direto da Letra do Tesouro Nacional – LTN) e o Tesouro Prefixado com juros semestrais (ou NTN-F, na versão para aplicação pela internet) – passam pela atualização diária de valor de acordo com as expectativas de inflação.

As oscilações nos preços, naturais no mercado de ações, se tornam mais bruscas com o aumento de incertezas eleitorais. Esses movimentos criam oportunidade de ganhos rápidos para investidores mais ágeis, mas significam risco de perdas para os demais.

Uma perspectiva de elevação dos juros, que acompanha o aumento de incertezas, também atrapalha os fundos imobiliários, cujo desempenho não combina com a alta dos juros. Em geral, os fundos imobiliários se tornam rentáveis apenas em cenário de juros baixos.

Chances de ganho

As aplicações que costumam tirar proveito do ambiente de incertezas e instabilidade são as relacionadas ao dólar e ao ouro. O aumento da procura por dólar, considerado refúgio e proteção para o dinheiro em situações de crise e insegurança, pressiona as cotações da moeda americana, movimento que, em geral, valoriza também o ouro.

O investimento em dólar por meio de fundos cambiais, contudo, é visto como opção de alto risco, em que o investidor pode ganhar ou perder, dependendo da trajetória das cotações. Especialistas consideram que, no momento atual, existe um empate entre a possibilidade de ganho ou perda com uma aplicação em fundo cambial.

Aplicações seguras

As opções consideradas mais indicadas, no momento, são as que não acenam com rentabilidade elevada, mas sim uma travessia segura, com possibilidade de saque a qualquer momento, e rendimento capaz de assegurar pelo menos a correção monetária para o dinheiro aplicado.

Estão entre essas opções os fundos DI e o Tesouro Selic, em aplicação pelo Tesouro Direto, ambos com rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, a Selic, que está acomodada em 6,50% ao ano.

A possibilidade de saque imediato, com rendimento, permite a rápida troca de aplicação se algum fato novo exigir nova escolha, uma flexibilidade importante em momentos de incertezas políticas e econômicas. Tanto o fundo DI como o Tesouro Selic, remunerados por juro pós-fixado, protegem o investidor também contra eventual elevação dos juros. Uma alta da Selic, por exemplo, reflete de imediato na rentabilidade dessas aplicações.

A caderneta de poupança, isenta de imposto, é outra opção, principalmente aos fundos DI, que têm tributação e cobram taxa de administração. Por exemplo, para uma aplicação por prazo inferior a seis meses, a caderneta é mais vantajosa que um fundo DI que cobra taxa de administração acima de 0,50% ao ano.

Essas taxas variam de acordo com cada banco e costumam ser maiores para volumes menores de aplicação. Nesse caso, seria melhor ir direto para a caderneta, que não tem nenhum custo.

A diferença é que, mesmo com custos como taxa de administração e imposto de renda, o fundo DI possibilita saques a qualquer momento, e com rendimento. Na poupança, o aplicador só faz retirada levando o rendimento do período a cada 30 dias na data de aniversário da conta.

O imposto de renda sobre o rendimento nominal do fundo DI é cobrado pela alíquota de 22,50% em aplicação de até 180 dias. A alíquota cai para 20% em aplicação de 181 a 360 dias; recua para 17,50% em aplicação de 361 a 720 dias, e para 15% na aplicação acima de 720 dias.

A vantagem de uma aplicação que possibilita saque com rendimento a qualquer dia é que o investidor terá flexibilidade para trocar rapidamente por outra diante de qualquer alteração no cenário político ou econômico que favoreça a migração.

O mais indicado, apontam analistas do mercado, é fazer a travessia do período eleitoral, até a escolha do novo presidente ou até a definição da nova política econômica de quem comandará o País a partir de janeiro do próximo ano.