Selic de 4,25% aumenta o risco de rendimento negativo

Regina Pitoscia

05 de fevereiro de 2020 | 00h14

A frustração do aplicador com o rendimento da renda fixa, que já vinha crescente, poderá ficar maior a partir de hoje. Isso porque a expectativa de analistas especialistas do mercado financeiro é que a taxa básica de juros, a Selic, passe por nova redução, nessa primeira reunião de 2020 do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. A aposta é a de que ela recue de 4,50% ao ano, do momento, para 4,25%.

Não dá para negar que uma Selic nominal de 4,25% é baixa para uma taxa que é referência de rendimento para as aplicações de renda fixa, como títulos e fundos de renda fixa, além de caderneta. Especialmente quando se compara essa taxa com a inflação projetada para o ano.

De acordo com o boletim Focus, o mercado financeiro estima uma inflação de 3,40% para este ano. A diferença que separa a provável nova Selic de 4,25% da inflação estimada, de 3,40%, é estreita, inferior a 1 ponto porcentual.

Uma distância que pode colocar em risco o ganho real do aplicador se houver um acidente de percursos que jogue a inflação acima das projeções. Mais do que isso, tende a resultar em rendimento negativo, como já ocorreu em dezembro, quando a inflação foi de 1,15% engolindo totalmente o rendimento dos títulos e fundo de renda fixa, de 0,40 e 0,50% bruto ao mês, antes do desconto do imposto renda.

Em janeiro, a situação não deve ser diferente. A inflação oficial será divulgada no próximo dia 7, no entanto a sua prévia medida pelo IPCA-15 indica algo em torno de 0,7%.

Com uma Selic em 4,25% ao ano a situação é mais dramática para a caderneta de poupança. Isso porque ela paga 70% da Selic quando essa taxa for igual ou inferior a 8,50% ao ano –, o rendimento passaria para 0,25% ao mês ou 2,98% ao ano, menos, portanto, que a inflação de 3,47%, na última projeção estampada no relatório Focus.

Os dados de momento deixam claro que, pelas estimativas de inflação e Selic, a caderneta pode nem sequer assegurar correção monetária, que protege o capital, porque garante o poder de compra contra a erosão provocada pela inflação.

A correção monetária é um mecanismo que sempre deu apelo à caderneta e transformou a poupança, também pelas regras simples de depósito e movimentação, na aplicação mais popular do País.

O juro real de 0,50% ao mês ou 6,17% ao ano foi uma característica inseparável da poupança desde sua criação, resguardada atualmente apenas nas contas abertas até 3 de maio de 2012 (as contas antigas). O complemento de remuneração, a correção monetária, estava sujeito a mudanças no critério de cálculo, mas em geral era a inflação oficial do mês, substituída, no fim dos anos 1990, pela TR (Taxa Referencial), que com a Selic no chão está com variação zero.

A Selic baixa não mexe só com o rendimento da caderneta. Títulos de renda fixa, como CDB, e fundos de investimento, de renda fixa e DI, passam por seguidos achatamentos dos juros. Também com efeitos danosos para o aplicador, porque recolhem imposto de renda.

Como esse imposto é calculado por alíquotas decrescentes – são mais elevadas para aplicações por prazos menores – é de 22,50% para aplicação de até 180 dias e cai para 15% para prazos acima de 720 dias –, quem aplica por poucos meses pode perder boa parte do rendimento com o imposto.

Se levar em conta, ainda, que aplicações de renda fixa por períodos abaixo de 29 dias recolhem também o IOF (imposto sobre Operações Financeiras) por alíquotas decrescentes, quem deixar o dinheiro na aplicação por menos tempo corre o risco de ter rendimento negativo.

Outra questão é que, com o atual nível de remuneração, os recursos depositados em aplicações de renda fixa podem passar por um processo de descapitalização, principalmente se for fonte de renda que custeia ou complementa parte dos gastos do orçamento.

Rendimento mais atraente

A renda fixa acena com uma rentabilidade mais elevada e capaz de superar a inflação para as aplicações por prazos mais dilatados, como de um ano, por exemplo.

No buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br), eram ofertados nesta terça-feira, dia 4, CDBs emitidos pelo Banco Máxima com uma remuneração líquida, depois do desconto do Imposto de Renda, acima de 5%. As diferenças entre as opções referem-se ao valor mínimo exigido para investir pela plataforma e o número de dias da aplicação. Durante esse período não é possível mexer no dinheiro.

CDB por um ano

                                                 Banco Máxima

Plataforma/distribuidor          Rendimento líquido ao ano        nº de dias

Nova Futura Inv.                                                   5,36%                                         361

Easynvest                                                                5,36%                                         363

Órama                                                                      5,36%                                         365

Ourinvest                                                                 5,19%                                         360

Fonte: Yubb

 

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.