Selic deve continuar em 6,5% ao ano. É hora de reavaliar a renda fixa?

Regina Pitoscia

31 de outubro de 2018 | 01h05

Três dias após a eleição que sacramentou Jair Bolsonaro como novo presidente do Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), anunciará hoje a taxa básica de juros, a Selic, para os próximos 43 dias. O encontro é o penúltimo do ano, haverá outro nos dias 11 e 12 de dezembro, e se depender da aposta do mercado financeiro, a taxa será mantida em 6,50% ao ano.

Definida a sucessão presidencial e a taxa básica, seria o momento de repensar as aplicações e eventualmente deixar o conforto da renda fixa, que permanece pouco rentável, em busca de opções mais atraentes?

Com o repique da inflação, o rendimento nominal líquido em torno de 0,30% a 0,40% da caderneta e dos fundos de investimento, de renda fixa e DI, pode ser insuficiente para assegurar margem de ganho real, acima da inflação, ao aplicador. E em alguns casos tampouco a correção monetária, que repõe a parcela do dinheiro desvalorizada pela inflação.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de outubro, divulgado pelo IBGE no dia 23, apontou que a prévia de inflação oficial acelerou de 0,09%, em setembro, para 0,58%, em outubro.

A inflação oficial de outubro calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estimado em 0,47% (portanto quase emparelhado com o de 0,48% de setembro) pelo mercado de acordo com a última edição do boletim Focus, será conhecida na segunda semana de novembro.

Se esse número for confirmado ou ficar mais próximo da prévia de 0,58% apontada pelo IPCA, a maioria das aplicações de renda fixa tradicionais renderá menos que a inflação em outubro.

Apesar da aceleração do IPCA, a expectativa de analistas e economistas do mercado consultados pelo BC para o boletim Focus é que a inflação oficial termine o ano acumulando alta de 4,44%, portanto colada na meta oficial de 4,50% para o ano.

Quem estiver insatisfeito com a renda fixa e esperou a definição do cenário eleitoral poderá avaliar se o momento é apropriado para diversificar sua carteira de investimentos no mercado de renda variável, principalmente ações ou fundos multimercados.

É preciso, contudo, agir sem precipitações. A eleição do novo presidente elimina um dos fatores de incerteza, mas o investidor não pode ainda baixar totalmente a guarda. A redução de estresse no ambiente de negócios não significa que o mercado ficou livre de instabilidade.

Os investidores permanecem de prontidão, atento à escolha de nomes que formarão a equipe econômica e às propostas de reforma econômicas para o ajuste fiscal e equilíbrio das contas do governo. Significa que os mercados podem reagir positiva ou negativamente de acordo com a avaliação que os investidores fizerem sobre os nomes escolhidos e as medidas propostas.

Basta verificar a gangorra das cotações que vem acontecendo tanto com as ações como com o dólar nesses dois últimos pregões após as eleições. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, caiu 2,24% na segunda para fechar com alta de 3,69% nas negociações de ontem. O dólar reagiu com alta de 1,39% na segunda e ligeira queda de 0,4% na terça.

Tudo ao sabor de oportunidades para a realização de lucros, após uma boa valorização da bolsa, e também das primeiras informações sobre como será enfrentada a questão da dívida pública. Já foram anunciadas a pretensão de iniciar a reforma da Previdência Social ainda este ano, e também a disposição de usar reservas cambiais e de privatizar empresas para reduzir as despesas com os juros pagos na rolagem dessa dívida.

Por isso, a dica de especialistas é que investidor destine apenas pequena parcela de seus recursos para aplicações de maior risco, sobretudo ações, e vá ampliando a migração à medida que o cenário ficar mais claro.

Até porque a expectativa de analistas é que a pressão sobre a inflação fique mais diluída e o IPCA mais comportado nestes meses finais do ano. A previsão é que a perda de fôlego do dólar, cuja arrancada em setembro provocou efeito negativo sobre os preços de alguns produtos, seja cristalizada em uma inflação mais baixa a partir de agora, sobretudo com altas menores de preços administrados, como os de combustíveis e energia elétrica.

A inflação estimada para dezembro está em 0,30% de acordo com o boletim Focus, que retrata as projeções de analistas do mercado financeiro.

Tendências: