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Selic pode cair hoje para 4,5%: quem ganha e quem perde com o juro baixo

Regina Pitoscia

11 de dezembro de 2019 | 00h02

Qualquer que seja a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, hoje, no término de sua última reunião deste ano do colegiado de política monetária, a taxa básica de juros, a Selic, fechará o ano em seu menor nível histórico.

A alta recente do dólar, que chegou a R$ 4,70, chegou a lançar dúvidas sobre a continuidade do ciclo de redução do juro básico. Dólar caro costuma provocar efeitos nocivos à inflação, mas o repique momentâneo da moeda americana não alterou a expectativa do mercado financeiro, que continua apostando que a Selic recue mais um pouco, de 5% ao ano para 4,50%.

Selic em nível recorde baixa é algo a ser celebrado, como fato auspicioso, em um país que sempre conviveu com juros estratosféricos – tanto em termos nominais quanto reais, após o desconto da inflação.

Embora positivo, porque considerado uma das condições necessárias para a retomada do crescimento, cabe avaliar a quem o juro historicamente baixo beneficia, em um primeiro momento, porque seus efeitos não têm sido uniformes em todos os segmentos influenciados direta ou indiretamente por ele.

Os segmentos mais favorecidos pela Selic baixa são o governo, que financia a dívida pública com a oferta de títulos da dívida pública emitidos pelo Tesouro Nacional no mercado financeiro, e os bancos. Parte desses títulos, a LFT (Letra Financeira do Tesouro), que o BC vende ao mercado, rende o equivalente à taxa Selic ao comprador – quanto mais baixa essa taxa, menor o custo para o Tesouro, para o governo. Selic baixa joga a favor também da caixa dos bancos, já que ela é referência do custo de captação de parte dos recursos, via colocação de CDB e outros papeis.

Se nessas operações, os tomadores de recursos (Tesouro e bancos) são beneficiados com custo menor de captação, quem está na outra ponta (investidores) estará recebendo menos pelo dinheiro que empresta.

Não deveria causar estranheza, portanto, que o investidor em renda fixa esteja recebendo um rendimento tão nanico, cada vez menor, no compasso das reduções da Selic, que recuou de 14,25% ao ano, em setembro de 2016, para 5%, de momento – e, pelas estimativas, pode fechar o ano em 4,50%.

A taxa básica de juro, Selic, é o piso de juro da economia, referência para a formação das demais taxas de juro, em geral muito mais elevadas. Menos para as aplicações de renda fixa, em que há o corte sistemático de rentabilidade, a cada redução da Selic, impondo ao investidor cativo desse segmento mais seguro uma difícil escolha: permanecer onde está, contentando-se com um rendimento cada vez menor e torcer para não ser atropelado pela inflação, ou expor-se à volatilidade dos mercados de maior risco, migrando para a renda variável, como a bolsa de valores.

A realidade dos juros cada vez mais baixos, algumas vezes insuficientes para fazer frente aos soluços e repiques da inflação, como ocorreu em novembro, impõe uma ginástica financeira para quem, à mercê dessas incertezas, não quer permanecer jogando apenas na retranca dos juros.

No mês passado, a inflação oficial do País, de 0,51%, medida pelo IPCA acabou por engolir totalmente a remuneração de aplicações em renda fixa. Na prática, o dinheiro empregado nesse segmento foi desvalorizado, sem conseguir a reposição da correção monetária.

A caderneta de poupança, que rende mensalmente 70% da Selic, ou o equivalente a 3,50% ao ano ou 0,29% ao mês, é uma das que foram atropeladas por essa inflação de 0,51%. Títulos e fundos de investimento de renda fixa, com rendimentos quase emparelhados com os da poupança, também perderam da inflação.

Caso se confirme um juro básico de 4,5% ao ano, o rendimento da caderneta passa a ser de 3,15% ao ano, ou 0,26% ao mês. E é mais ou menos por aí que títulos e fundos de renda fixa devem pagar o rendimento líquido para aplicações de curto prazo.

A escolha no terreno do investimento é de cada um, uma opção que nem sempre se oferece a quem precisa de um financiamento que, a despeito da Selic no chão, continua cobrando juros nas alturas – com poucas exceções de modalidades de crédito mais baratas, como a do empréstimo consignado.

 

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