Sinais de que esse tende a ser bom momento para a compra de imóvel

Regina Pitoscia

16 Novembro 2018 | 00h38

Há otimismo em relação às perspectivas para o setor imobiliário em 2019. E alguns sinais concretos permitem as apostas de uma recuperação mais robusta. Em evento na capital paulista, Tiago Galdino, diretor executivo do ImovelWeb, um dos maiores portais de venda e aluguel de imóveis do País, revelou que houve um aumento de 35% nas buscas de unidades que estão à venda.

O avanço foi detectado de janeiro a setembro deste ano em comparação com igual período do ano passado. Os dados são representativos, afinal saem de uma base de mais de 3,5 milhões de anúncios. As razões que possam justificar esse movimento são as mais diversas, e vão desde a percepção de que os preços dos imóveis deixaram de cair até o aumento do teto no valor do imóvel para R$ 1,5 milhão a ser financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação. “Os preços bateram o fundo do poço e a tendência agora é de valorização” afirma Galdino.

O executivo lembra que as incorporadoras estão mais agressivas para desovar seus estoques nesse fim de ano, com diferentes tipos de promoção. O consumidor está sendo convidado a verdadeiros festivais de venda nesses próximos fins de semana, com viagens oferecidas para quem adquirir um apartamento novo. Segundo ele, o momento é oportuno para a compra tanto em termos de oferta de imóveis como pelo nível atual de preços, o que dá margem mais ampla de negociação a quem está interessado em comprar. “Não há dúvidas de que os preços tendem a subir, a questão é a velocidade com que isso vai acontecer”, diz ele.

O estrategista da XP Investimentos, Marco Saravalle, também presente no evento, aposta igualmente na recuperação do mercado imobiliário e ressalta que “o pior ficou para trás”. Em suas projeções, não será em 2018 que o setor da construção civil sairá da recessão, mas já é possível vislumbrar um crescimento de 0,7% em 2019, de 2,3% em 2020, e de 2,7% no ano seguinte.

Saravalle afirma que a reação do mercado de imóveis vem na esteira da recuperação do emprego, da renda, um processo que foi interrompido e retardado após a greve dos caminhoneiros em maio e junho deste ano. No entanto, o consumidor final tem emitido sinais de retomada da confiança, com menos temor de sair para adquirir um imóvel.

O estrategista evidencia que o país inicia 2019 com grandes desafios. O principal deles é o controle da dívida pública que passa necessariamente pela Reforma da Previdência. Existe um colapso à vista no setor e em um prazo relativamente curto de tempo: “Se nada for feito, em 2026, de cada R$ 4,00 arrecadado pelo governo R$ 3,00 obrigatoriamente terão de ser destinados à Previdência Social”.

Outras distorções foram apontadas na economia brasileira que, se enfrentadas, poderão contribuir para a redução do déficit público, na opinião do analista. Trata-se do número de estatais existentes no País, nada menos que 418, mas há modelos em que a máquina estatal é bem mais enxuta. Na Suíça há 4; no Japão, 8; nos Estados Unidos, 16; na Holanda, 29; e para ficar com um país da vizinhança, no Chile são 25. O que não deixa de ser outra boa discussão.

Dados Secovi

Dirigentes do Sindicato da Habitação, Secovi-SP, também trabalham com perspectivas positivas para o País. O presidente da entidade, Flávio Amary, se apoia na expectativa de o novo governo agir com firmeza na adoção de medidas necessárias ao desenvolvimento sustentado do País e também nas suas sinalizações de disposição de reduzir o tamanho do Estado, promover as reformas estruturais, revitalizar o comércio exterior para atrair investimentos e o firme combate à corrupção. “Esta é a maior chance que temos de mudar e avançar. Portanto, estamos cem por cento otimistas”, disse ele.

As vendas continuaram crescendo em setembro, de acordo com pesquisa feita pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP.  Foram comercializadas 1.943 unidades, o que representa um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. No entanto, quando comparado com as 2.581 unidades vendidas em agosto, o resultado foi 24,7% inferior. No acumulado do ano (janeiro a setembro), foram contabilizadas 18.067 vendas, um aumento de 41,0% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando as vendas totalizaram 12.810 unidades.

De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), a cidade de São Paulo registrou, em setembro, o lançamento de 2.173 unidades residenciais, resultado 54,1% superior aos lançamentos de agosto (1.410 unidades) e 8,9% abaixo dos de setembro de 2017 (2.386 unidades).

Importante notar que os lançamentos do ano continuam inferiores às vendas. No acumulado do período de janeiro a setembro, foram 14.280 unidades lançadas diante de 18.067 unidades vendidas. “Esse movimento leva à redução da oferta disponível para venda, gerando pressão nos preços dos imóveis, que podem ser reajustados. Além disso, o estoque de unidades tem registrado sucessivas quedas e já é menor do que a quantidade de imóveis vendidos no ano. Por isso, o melhor momento para comprar é agora”, recomenda Amary.