Títulos do Tesouro: quanto pagam e os cuidados que exigem do investidor

Regina Pitoscia

22 de novembro de 2019 | 00h17

O rendimento dos títulos públicos ofertados na plataforma do Tesouro Direto também encolheu, tanto nos papeis com juros pós-fixados, atrelados à Selic, como nos prefixados, em que o rendimento é conhecido no momento da aplicação. E isso por conta de uma expectativa de inflação mais baixa. Mas o investidor deve estar atento também a duas das principais características dessa modalidade de investimento para não perder dinheiro.

A primeira é a necessidade de permanecer com o dinheiro aplicado no título comprado via internet durante mais tempo, por vários anos até, se comparado com outras opções tradicionais de renda fixa, como caderneta e fundos de investimento.

A segunda, relacionada à primeira, é que o resgate antecipado de títulos prefixados antes da data de vencimento leva ao recálculo do rendimento. Essa nova conta, feita de acordo com condições como juros e valor do título no dia, pode redundar em rendimento menor que o sinalizado pela taxa de juros contratada na hora da aplicação.

Esse cuidado deve ser redobrado em momentos de maior instabilidade no mercado, com bruscas revisões sobre estimativas de inflação e taxas futuras de juro. O risco de obter um retorno mais baixo do que o previsto no título é maior em papeis com juros prefixados, como o Tesouro Prefixado, que sucedeu à antiga Letra do Tesouro Nacional (LTN).

Outro título que passa pelo recálculo da remuneração no resgate antes do vencimento é o Tesouro IPCA, que mescla rendimento indexado ao IPCA, correspondente à correção monetária pós-fixada, com uma taxa real de juros prefixada.

O investidor tanto do Tesouro Prefixado quanto do Tesouro IPCA não precisará preocupar-se com o recálculo do rendimento e, portanto, de embolsar uma remuneração menor que a prevista, se fizer o resgate apenas no vencimento do título, quando recebe o capital inicial aplicado mais os juros pela taxa contratada na hora da aplicação.

Resgate antecipado

Quando o investidor vende o papel e sai da aplicação no meio do caminho, antes do prazo final, seu rendimento passa a depender menos da taxa de juro prevista no título e mais do nível dos juros no mercado futuro no dia do resgate. São juros que refletem a expectativa futura de juros dos agentes econômicos e financeiros e podem estar correndo acima ou abaixo da taxa Selic que baliza os negócios no mercado à vista.

Se, por algum estresse, incerteza ou insegurança política ou econômica, os juros futuros negociados em contratos para vencimentos anos adiante estiverem rodando acima da Selic, os títulos emitidos anteriormente com juro menor, referenciado na Selic, ficam desvalorizados, pela expectativa de que títulos de novas emissões virão com juros mais elevados, possivelmente alinhados com as taxas mais altas do mercado futuro. Uma perspectiva que parece afastada, no momento, diante da expectativa de que inflação e juros permaneçam baixos por bom tempo.

O investidor que antecipar o resgate em um momento de turbulência poderá receber valor menor que o previsto, porque seu título estará desvalorizado. Um risco que não existirá se permanecer abraçado ao título até o vencimento no prazo final, quando receberá o capital aplicado mais o rendimento proporcionado pela taxa de juros contratada.

Os dois principais títulos ofertados pela plataforma do Tesouro Direto que oferecem esse risco em resgates antecipados são o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA, um papel com rendimento híbrido que combina juro real prefixado e correção monetária pós-fixada pela variação do IPCA.

Título pós-fixado

Os títulos com juros pós-fixados não exigem preocupação com o recálculo em caso de resgate antecipado, já que o rendimento corresponderá à variação da Selic acumulada até essa data.

Ao fazer o resgate, contudo, o investidor receberá do Tesouro Nacional, que vai recomprar o título, um valor menor que o definido para a venda para quem compra o mesmo título pela internet no Tesouro Direto. O valor menor é um tipo de deságio que o investidor banca, em favor do Tesouro, por deixar o título antes do seu vencimento.

Rendimento

Para ter uma ideia de quanto estão pagando os Títulos do Tesouro, segue lista dos dez mais rentáveis apontados pelo buscador de investimentos Yubb esta semana. Todos emitidos pelo Tesouro Nacional, que estão sendo oferecidos pela Rico Corretora. São aplicações para valores a partir de R$ 5 mil e pelo prazo de 12 meses.

Tesouro Direto

                                       Papeis de 1 ano

            Tipo                                     Rendimento líquido ao ano

Tesouro IPCA 2050                                       5,71%

Tesouro IPCA 2035                                       5,63%

Tesouro IPCA 2045                                       5,63%

Tesouro IPCA 2035                                       5,41%

T. Prefixado 2029                                          5,26%

T. Prefixado 2025                                          5,05%

Tesouro IPCA 2026                                       4,99%

Tesouro IPCA 2024                                       4,81%

T. Prefixado 2022                                          4,12%

Tesouro Selic 2025                                        3,87%

Fonte:Yubb

Interessante notar que todas as opções acenam com rentabilidade superior à caderneta que atualmente está em 3,50% ao ano e pode cair ainda mais em dezembro, se a Selic for reduzida na próxima reunião do Copom.