Vai ficar na renda fixa? Na pré ou pós-fixada?

Regina Pitoscia

10 Outubro 2018 | 00h38

Para atravessar esse momento de transição no comando do País sem ser atingido pela alta volatilidade das ações ou do dólar, a opção deve ser pela renda fixa. Apostar em tendência dos segmentos de risco, que reagem rapidamente às expectativas, pode ser uma decisão precipitada e temerária para quem não acompanha de perto a evolução desses segmentos.

Uma vez passada a euforia com os resultados do primeiro turno, com alta de 4,6% da bolsa e queda do dólar, que foi para R$ 3,70 nas negociações de ontem, o mercado deve seguir com as atenções voltadas para novas pesquisas e, sobretudo, para um detalhamento dos programas econômicos, tanto de Jair Bolsonaro, como de Fernando Haddad.

O maior interesse recai pelas propostas dos vencedores para o controle do déficit público, a condução das reformas urgentes, os investimentos a serem feitos para reanimar a combalida economia, a formação de equipe econômica, entre outros itens. E cada novidade sobre esses temas tende a influenciar diretamente o comportamento dos mercados ainda por bom tempo, pelo menos até a virada do ano.

Por isso, o mais indicado, é que o aplicador avesso ao risco continue em renda fixa. Mas em que modalidade, na pré ou pós-fixada? Para decidir, é preciso avaliar os contextos de inflação e juros.

Cenários

O debate sobre possível elevação da taxa básica de juros, a Selic, foi esvaziado pela perda de fôlego do dólar, que, com o resultado do primeiro turno, atingiu R$ 3,70 nas negociações de ontem. Com isso, ficaria afastada a necessidade de alta dos juros para conter o efeito negativo da valorização da moeda americana sobre provável alta da inflação.

Além da elevação dos preços, porém, o Banco Central poderia ser forçado a subir os juros por aqui para acompanhar a alta das taxas de juro americanas. Em escalada, a principal taxa de referência nos Estados Unidos, a do título de dez anos (Treasury), encostou em 3,20% ao ano.

Esse nível de juro equivale quase à metade do que remunera um título de renda fixa doméstico pela taxa Selic de 6,50% ao ano, com todo o risco que embute um título brasileiro comparado com o do Tesouro americano, considerado o mais seguro do mundo.

Um aumento do movimento de migração de recursos para o mercado americano poderia levar o BC a conter esse movimento com eventual elevação dos juros, para manter a atratividade dos títulos brasileiros.

Diante dessa possibilidade, ainda que aparentemente remota no momento, especialistas destacam que aplicações com juros pós-fixados podem ter mais apelo que os com taxas prefixadas – uma aplicação com taxa pós-fixada é interessante em cenário de alta dos juros enquanto a prefixada é indicada quando a expectativa é de redução das taxas de juro.

Dentre as opções com juros pós-fixados, o investidor pode escolher a caderneta (que rende 70% da Selic enquanto a taxa básica for igual ou inferior a 8,50% ao ano), o fundo DI, cujo rendimento acompanha a Selic ou, ainda, o Tesouro Selic, títulos da dívida pública federal ofertado para aplicação pela internet na plataforma do Tesouro Direto.

O Tesouro Selic é a versão da LFT (Letra Financeira do Tesouro Direto), que forma a carteira do fundo DI, vinculando o rendimento desse fundo à variação da Selic. O investidor que quer ter remuneração pós-fixada atrelada à Selic tem duas opções: aplicar em um fundo DI ou comprar o Tesouro Selic na plataforma do Tesouro Direto.

Ao aplicar em um fundo DI, o investidor paga taxa de administração, que varia de fundo para fundo, e imposto de renda por alíquotas que variam de 22,50% (aplicação de até 180 dias) a 15% (aplicação acima de 720 dias), com alíquotas intermediárias de 20% (aplicação de 181 a 360 dias) e de 17,50% (de 361 a 720 dias).

São custos que muitas vezes reduzem a atratividade na comparação com a caderneta de poupança, isenta de imposto de renda e de qualquer outra taxa. Na caderneta, o poupador pode sacar o dinheiro com rendimento a cada 30 dias, na data de abertura da conta, enquanto os fundos DI possibilitam retirada a qualquer momento, com rendimento, embora com tributação pesada.

No fim das contas, a caderneta costuma ser mais vantajosa para pequenas aplicações e por períodos curtos de tempo que um fundo DI.

O Tesouro Selic recolhe imposto de renda pelas mesmas alíquotas do fundo DI e módica taxa de custódia, de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, para a BM&FBovespa, que faz a guarda eletrônica do título escritural.