Vale a pena investir em debêntures da Petrobrás?

Regina Pitoscia

18 de setembro de 2019 | 01h47

(*) Com Tom Morooka

O processo de reservas para a compra de debêntures da Petrobras foi retomado na última sexta-feira, 13 de setembro, depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revogou a suspensão, decretada em 30 de agosto, da oferta de R$ 3 bilhões da estatal de petróleo.

A suspensão da oferta pela CVM, autarquia que atua como xerife cuidando da fiscalização do mercado, dias depois da abertura da oferta, foi motivada pelas declarações da diretora de relações com investidores da Petrobrás, Andrea Almeida, sobre a emissão durante o período de silêncio – tempo que antecede o lançamento de ações ou títulos em que a empresa emissora não pode dar declarações que venham influenciar a formação de preços dos papeis a serem lançados à praça.

Podem candidatar-se à compra investidores pessoas físicas e jurídicas. Parte da oferta será formada por papeis incentivados de infraestrutura, isentos de imposto de renda, e parte por títulos indexados a um porcentual do juro DI, versão privada da Selic, que anda praticamente colado na taxa básica.

A emissão será distribuída em três séries, duas de debêntures incentivadas de infraestrutura, com benefício fiscal para pessoa física, e uma sem isenção de imposto, atrelada a taxa de juros.

A primeira delas, com debêntures de infraestrutura incentivadas para vencimento em dez anos, oferece correção monetária pela inflação do IPCA mais 3,60% ao ano ou o que render a NTN-B 2030 (ano de vencimento do título público) mais 0,10%. Vale o que for maior.

A segunda série, também com debêntures de infraestrutura incentivadas, oferece como teto de rentabilidade inflação pelo IPCA mais 3,90% ao ano ou NTN-B 2035. A NTN-B (Nota do Tesouro Nacional da série B) corresponde ao Tesouro IPCA, título público ofertado para aplicação pela internet na plataforma do Tesouro Direto, que rende juro prefixado mais correção monetária equivalente à variação do IPCA.

A terceira série agrupa debêntures para vencimento em sete anos, sem incentivo fiscal, que acenam com rentabilidade correspondente a 107% do juro DI, algo próximo de 6,50% ao ano.

A rentabilidade final que caberá ao investidor em debênture em cada uma dessas séries, porém, dependerá do apetite de compra dos investidores nessa oferta, explica Francisco França, analista de crédito da TAG Investimentos. “Uma demanda maior, acima da esperada, tende a levar a uma rentabilidade menor que a prevista nos papeis.”

A debênture, considerada pelos especialistas uma opção aos títulos públicos para a diversificação da carteira nestes tempos de juros cada vez mais baixos, é um investimento em renda fixa, em títulos emitidos por empresas para financiar suas atividades. Os recursos captados pela Petrobrás nessa emissão de debêntures serão usados no programa de exploração e desenvolvimento da produção de campos da estatal.

Embora considere mais uma opção para quem está interessado em diversificar sua carteira de investimentos sem sair da renda fixa, o analista de crédito da TAG Investimentos vê baixa atratividade nos papeis do ponto de vista da correlação prazo/retorno. “É um prazo de vencimento longo para um título que oferece rendimento baixo, que pode ficar ainda menor se a demanda pelas debêntures nessa oferta for muito alta.”

França afirma que, além da rentabilidade, é preciso analisar, nesses papeis, o risco da empresa emissora, no caso a Petrobrás. “A companhia tem feito ajustes, enxugado os gastos – um esforço que poderia atingir a rentabilidade das debêntures em oferta –, mas não oferece garantias como a cobertura do FGC.” O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF do investidor se a empresa que emitiu o título tiver dificuldades financeiras para honrar o resgate.

Outro ponto importante, aponta França, é o que especialistas em investimento chamam duration dos papeis, o prazo médio no qual o investidor já receberia o valor do dinheiro investido.

Cada uma das séries da oferta de debêntures tem a sua duration. Na terceira série, em que o desempenho está atrelado a uma porcentagem do juro DI, a duration é de 5,7 anos, considerado longo pelo executivo da TAG Investimentos.

França considera opção interessante uma aplicação que reúna duration baixa, rentabilidade elevada e risco moderado.

O investidor interessado na compra de debêntures da Petrobrás tem até dia 24 de setembro para fazer a reserva, em uma das quatro instituições que coordenam a emissão: Santander, Itaú BBA, Bradesco e XP, em cujos sites é possível encontrar material com todas as informações e condições da oferta.

 

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