Vote bem no domingo por mais complicado que esteja o cenário

Regina Pitoscia

05 Outubro 2018 | 00h52

Domingo começamos a escolher o novo presidente do País. Embora estas eleições estejam um tanto conturbadas, marcadas pelo fanatismo, ódio e pela divisão, no fundo, os brasileiros querem a mesma coisa: um governo sério, honesto e comprometido, que venha a recolocar o trem nos trilhos. Que faça a economia girar, criando empregos, se beneficiando desse crescimento para investir em áreas essenciais como educação, segurança, moradia, saneamento básico e para poder, inclusive, aliviar o peso dos impostos.

Durante as campanhas, o que mais se viu foram ataques aos candidatos em detrimento do bom debate, sobre as propostas que possam melhorar a vida de cada um. Ainda assim, qualquer promessa nessa fase parece ter sido recebida com boa dose de descrédito pela maior parte dos eleitores. Mais da metade dos votantes, 53%, está pessimista em relação aos resultados, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito.

Mesmo que nenhum dos candidatos preencha todos os requisitos necessários para ser o presidente ideal, não vale a pena deixar de votar. Segundo a consultora, especialista em desenvolvimento humano, Rebeca Toyama, “quando o eleitor opta por não votar, ele está tentando fugir da responsabilidade em escolher um presidente que, acredita, será uma decepção”.

O voto nulo ou em branco, argumenta ela, muitas vezes é a negação de algo, mas é preciso entender que o fato de não conhecer e não gostar do assunto não torna o cidadão isento das consequências que a política traz para a sociedade e sua vida. Assim, ignorar os problemas não implicará soluções para eles, quer dizer, o custo será pago de qualquer forma, com o eleitor votando ou não.

O desânimo do brasileiro quanto às opções de candidatos somado à falta de conhecimento sobre política faz com que muitos não percebam a importância do próprio voto. A falta de credibilidade nos políticos nacionais tem peso relevante nesse tipo de comportamento e não é de hoje. Ela é frequentemente demonstrada nos números finais de eleitores que optaram por votar nulo, em branco ou não comparecer.

Nas últimas eleições presidenciais, 115 milhões de pessoas foram às urnas, dos quais 4,4 milhões votaram em branco e 6,7 milhões anularam – 27,7 milhões não compareceram. Isso significa que 34% da população não teve  atuação determinante na escolha de governantes e isso pode fazer toda a diferença em uma eleição.

Na opinião da especialista, o momento exige uma atitude mais positiva e proativa, a de aproveitar para evoluir na prática do debate, da conversa, mostrando pontos de vista de forma madura, sem a influência de um viés pessoal. “É uma forma de tirar proveito desse pleito polêmico. Por isso, convido vocês a suspender o lado passional para olhar o assunto de forma racional e com clareza”, diz ela.

Rebeca chama a atenção para o fato de que essas eleições estão sendo disputadas sob acirrada e tensa polarização. O País está dividido em quem vota em A para não eleger B e vice-versa, sem ter o cuidado de analisar propostas, valores e projetos. “Se ficarmos focados na negação ou no apego, a gente não cresce”, e essa regra não serve apenas para a política, mas para outros aspectos da vida, alerta Rebeca.

“A escolha do presidente está tendo maior repercussão em decorrência dos escândalos que foram recorrentes nos últimos anos. Isso gera simpatia e antipatia por determinados candidatos”. Se, por um lado, isso traz um resultado positivo, porque chama a atenção da parcela da população que se abstém do assunto, por outro o voto se torna extremamente passional, o que nos leva a tomar decisões de forma imatura.

A falta de opções é outro argumento apontado por muitos eleitores ao justificar por que irão se abster e não votarão em nenhum dos 14 candidatos. “Não adianta desejar uma situação diferente. Temos de trabalhar com as opções que estão disponíveis, fazendo uma análise mais profunda dessa escolha e, no máximo, refletir o que pode ser feito diferente nas próximas eleições”, argumenta.

A consultora lembra ainda que no sistema presidencialista de coalizão, como o nosso, o presidente da República concentra muito poder nas mãos, mas precisa ter habilidade na articulação e negociação com o Congresso para aprovar projetos e medidas que exigem o crivo dos parlamentares. “Não precisa ir muito longe para observar em nossa história o que aconteceu com os chefes do Executivo que não possuíam essas competências, acredito que aqui também temos uma boa reflexão.”

Para Rebeca, a escolha deve recair sobre os candidatos que defendam ideias e valores entendidos pelo eleitor como primordiais para levar o Brasil para um caminho melhor. “Ainda está em tempo de escolher um candidato com mais sabedoria, analisando os prós e contras de todas as opções, independentemente de opiniões pessoais e emoções”, orienta ela. Para isso é preciso se informar sobre os projetos relacionados às principais questões nacionais e seus impactos na economia do País, tanto as propostas e ação imediata como as de longo prazo, orienta a especialista.

“Para termos eleições mais assertivas, precisamos valorizar o potencial humano, pois dentro dele tem uma sabedoria que transcende qualquer outra coisa”. Além disso, “o voto é democrático no sentido de que coloca todos os eleitores numa mesma base, não importando se o votante é um empresário com um saldo bancário milionário ou um morador de rua, o voto tem o mesmo peso para todos, e isso nunca deve ser esquecido”, finaliza.