Nobel de medicina vende medalha após comentários racistas
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Nobel de medicina vende medalha após comentários racistas

Primeira medalha do prêmio a ser vendida pode alcançar o valor de US$ 3,5 milhões, o equivalente a R$ 9 milhões

Economia & Negócios

02 Dezembro 2014 | 16h33

Mariana Naviskas
Especial para O Estado de S. Paulo

James Watson: medalha do prêmio Nobel á venda (Foto: NYT)

James Watson: medalha do prêmio Nobel á venda (Foto: NYT)

 

 

O ganhador do prêmio Nobel de medicina em 1962 James Watson anunciou que vai vender sua medalha.  Ele tomou a decisão após perder espaço no meio científico por comentários racistas feitos há sete anos.

É a primeira vez que um Nobel é vendido com o ganhador ainda vivo. A medalha vai a leilão nesta quinta-feira, 4, na galeria  Christie’s de Nova York. O valor pode chegar a US$ 3,5  milhões (o equivalente a R$ 9 milhões).

Watson ganhou o prêmio como coautor da descoberta da estrutura do DNA. Em entrevista ao jornal Financial Times, o cientista de 86 anos afirmou ser hoje uma pessoa que ninguém quer admitir que existe. “Fui demitido de conselhos de empresas e não tenho mais renda, a não ser minha renda acadêmica”.

Em outubro de 2007, ao ser entrevistado pela revista Sunday Times, Watson sugeriu que descendentes de africanos seriam menos inteligentes do que pessoas brancas. Ele declarou na época que, embora seja comum crer que todos nascem com inteligência igual, “aqueles que têm que lidar com funcionários negros descobrem que isso não é verdade”.

“Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de a inteligência deles ser a mesma que a nossa, sendo que os testes não dizem realmente isso”, afirmou o cientista. Após o comentário, Watson foi obrigado a se aposentar do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Long Island, Nova York, onde ainda possui o cargo de chanceler emérito.

 O leiloeiro responsável pela peça Francis Wahlgren disse que não espera que a controvérsia sobre o comentário de Watson possa dissuadir potenciais compradores. “Eu acho que Watson é o maior cientista vivo. Há uma série de personalidades na história que nós podemos encontrar falhas, mas suas descobertas transcendem fraquezas humanas”, opinou.

Watson, que insistiu “não ser um racista de forma convencional”, acredita que foi “uma estupidez” não perceber que seu comentário relacionando inteligência à raça se tornaria um artigo. “Peço desculpas… [o jornalista] de alguma forma escreveu que eu me preocupava com as pessoas na África por causa de seu baixo QI e você não deveria dizer isso”, declarou.

 

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