Mercado musical vê o vinil renascer quadrado
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Mercado musical vê o vinil renascer quadrado

Grupo de produtores musicais reinventa os antigos discos analógicos usando um novo material e um formato inédito

Cley Scholz

07 de novembro de 2014 | 17h29

Bruno Borges com os discos quadrados: agulha de aço no lugar de diamante barateia produção

Bruno Borges com os discos quadrados: agulha de aço no lugar de diamante

SÃO PAULO – O renascimento dos discos de vinil não é novidade. O produto virou ‘cult’ e vem ganhando espaço nos últimos anos em novas lojas especializadas de discos usados e também de novos, que voltaram a ser fabricados no Brasil e também importados em maior escala.

Novidade, mesmo, é o disco de vinil quadrado lançado pelos produtores culturais Arthur Joly e Bruno Borges, o ‘Dj Niggas’, sócios no selo Vinyl-Lab.

Além do formato inédito, que reduz o espaço de circulação da agulha, a novidade tem uma outra desvantagem: a qualidade do som é inferior ao vinil tradicional, por causa do tipo de gravação conhecido como lo-fi (de low fidelity, ou baixa fidelidade). A grande vantagem está no preço, a partir de R$ 25 a unidade.

O disco quadrado é confeccionado com policarbonato, um tipo de plástico usado na construção que custa bem menos que o polivinil carbonato dos vinis convencionais.

Com impressão quase artesanal em um torno dos anos 50 importado da Jamaica, com agulha de aço no lugar de diamante, o vinil quadrado comporta no máximo três músicas de um lado só (aproximadamente seis minutos), menos que um antigo compacto.

O lado que não é gravado é grafitado com spray. “A idéia é ter a parte visual tão valorizada quanto o som gravado na outra face”, explica Joly.

A proposta do vinil quadrado é democratizar a produção musical, com preços acessíveis para qualquer músico e especialmente para os beatmakers, produtores musicais especializados em criação de bases musicais para rappers e músicas eletrônicas.

A ideia nasceu por acaso, devido a uma dificuldade técnica: “Pesquisamos novos materiais mais acessíveis, e o produto que encontramos é difícil de ser cortado no formato redondo, então a solução foi fazer o disco quadrado”, explica Bruno Borges. “Acabou virando um diferencial de marketing”, acrescenta.

Bruno Borges, o DJ Niggas (ao centro) e os beatmakers com os discos de vinil quadrado: democratização da produção mudical

DJ Niggas (ao centro) e os beatmakers com discos de vinil quadrados: democratização da produção musical

Beatmakers. Na Casa Brasilis, loja de discos novos e usados aberta há um mês no bairro do Sumaré, zona Oeste de São Paulo, o produtor musical reúne todas as terças-feiras vários beatmakers que usam um equipamento chamado MPC (central de produção musical), com o qual é possível juntar sons de diferentes procedências e criar novos ritmos eletrônicos.

Os participantes encontraram no disco quadrado uma solução barata para registrar as composições e usá-las nos toca-discos de vinil, que estão voltando à moda, em diversos modelos nacionais e importados, alguns com entrada USB que permite conexão para aparelhos digitais.

Vinil quadrado: três músicas e até seis minutos de um lado só

Vinil quadrado: três músicas e até seis minutos de um lado só

LATHE CUT – LOFI RECORD NA RECO-HEAD from arthur joly on Vimeo.

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