A China não quer ser nº 1

Raquel Landim

20 de julho de 2010 | 18h03

O governo chinês se apressou a negar a informação da Agência Internacional de Energia (AIE) de que seu país ultrapassou os Estados Unidos como maior consumidor de energia do mundo. O assunto se tornou manchete do Wall Street Journal, um dos jornais mais respeitados do planeta, e repercutiu pelo mundo, inclusive neste blog.

“Pelos nossos cálculos, os Estados Unidos continuaram como o maior consumidor de energia em 2009”, disse o porta-voz da Administração Nacional de Energia da China, Zeng Yachuan. Zhou Xian, um diretor do órgão, disse aos repórteres que “os dados da AIE podem ser utilizados como referência, mas não são muito confiáveis”.

A AIE defendeu sua análise. “Todas as fontes relevantes de estatística indicam que a China ultrapassou os EUA”, disse o economista chefe da agência, Fatih Birol. Os dados do governo chinês e da AIE não batem – e já faz tempo. A agência reclama que os chineses entregam dados “obscuros e inadequados”.

A diferença não é tão grande, mas nesse caso se tornou crucial e politicamente delicada. Pelos dados da AIE, a China consumiu 2,252 bilhões de toneladas de petróleo equivalente (inclui todos os tipos de energia), 4% acima dos EUA, que queimou 2,17 bilhões de toneladas. O governo chinês informa que o consumo do país foi de 2,146 bilhões de toneladas, 1% abaixo dos EUA.

Por que a China reluta em ser reconhecida como o maior consumidor de energia do mundo? Obviamente significa uma pressão a mais nas negociações climáticas, mas o gigante asiático já é o maior poluidor do planeta por causa de suas usinas de carvão. O principal problema chinês é aceitar seu protagonismo global, que vai se tornando cada vez mais evidente.

 A política externa de Pequim ainda é muito discreta A não ser em questões “domésticas” como Taiwan e Tibet, os chineses evitam posicionamentos firmes nos temas internacionais. Por dois motivos: os dirigentes do Partido Comunista avaliam que ainda têm muito com o que se preocupar em casa (vale lembrar que a China é um país em desenvolvimento) e não querem ser percebidos como uma ameaça para o resto do mundo.

 

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