A comemoração dos exportadores

Raquel Landim

28 de julho de 2011 | 14h51

Principal voz das empresas exportadoras do País, José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), gostou muito das medidas adotadas pelo governo para conter a queda do dólar. “Pela primeira vez, atacaram as causas da valorização do real”, disse ao blog.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem uma dura intervenção no mercado cambial. Com uma medida provisória e um decreto, o governo instituiu a cobrança de 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) quando os investidores ampliarem suas apostas na alta do real no mercado futuro. E foi além: deu carta branca ao Conselho Monetário Nacional para elevar essa taxação até 25%.

Essas medidas afetam de duas maneiras os exportadores. Por um lado, encarecem as operações de “hedge” – instrumentos financeiros que os exportadores utilizam para se proteger contra variações do real entre o momento em que fecham o negócio e entregam a mercadoria. Em contrapartida, se conseguirem provocar uma desvalorização da moeda brasileira, as medidas vão aumentar a rentabilidade das vendas externas.

Castro acredita que o impacto negativo será muito reduzido. Ele explica que apenas 5% dos exportadores fazem “hedge”, porque são operações caras e complicadas para pequenas e médias empresas. O custo, portanto, só aumenta para os grandes exportadores. Boa parte das empresas “trava” o dólar com Contratos de Adiantamento de Câmbio (ACCs), que não foram taxados.

O especialista admite, no entanto, que não é certeza que as medidas vão ter impacto na cotação do real, que afinal depende de movimentos dos mercados internacionais e, principalmente, da situação dos Estados Unidos. Se democratas e republicanos não chegarem a um acordo nos próximos dias, o Tesouro dos EUA pode não honrar suas dívidas, uma hipótese de consequências imprevisíveis para o mercado de câmbio global.

O que realmente animou o setor exportador foi a postura do governo brasileiro, que resolveu partir para o ataque. Para Castro, as medidas deveriam ser ainda mais duras, incluindo até quarentena de investimentos especulativos.

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