Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Argentina: a diplomacia do grito 2

Raquel Landim

17 de dezembro de 2010 | 18h24

O protecionismo está à solta na Argentina. No post anterior, o blog comentou sobre o “pedido” da ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi, para que as montadoras cortem em 20% suas importações de carros de fora do Mercosul. Agora, as barreiras são contra os produtos têxteis brasileiros.

De novo, a Argentina optou pela diplomacia do grito. Na última quarta-feira, às vésperas da reunião do Mercosul, o governo argentino iniciou um processo antidumping contra as toalhas importadas do Brasil. A avaliação inicial é que os fabricantes brasileiros estão vendendo seu produto 70% abaixo do preço do custo no país para quebrar as empresas locais.

A medida é uma ameaça contra os empresários brasileiros, que se recusam a aceitar as restrições impostas pelo país vizinho. Já faz alguns meses que os dois lados negociam uma “restrição voluntária” para as exportações de têxteis do Brasil. Em toalhas, não foi possível fechar um acordo, porque as cotas foram consideradas “irrisórias”. Em lençóis, o Brasil vai se submenter a um corte de cerca de 20% das exportações no ano que vem.

O timing do início da investigação foi proposital. O objetivo é constranger o Brasil e trazer o tema para a reunião oficial do Mercosul, que começou ontem e termina hoje em Foz do Iguaçu. O governo brasileiro estava mantendo o assunto “low profile”  para não azedar a reunião. Nem mesmo os acordos já fechados tinham sido divulgados.

A avaliação dos técnicos do governo brasileiro é que o volume de negócios nesses dois produtos têxteis é muito pequeno para prejudicar as relações entre os dois países. É verdade. Mas não é só uma questão do tamanho do prejuízo, mas também do comprometimento com o Mercosul. Os acordos de “restrição voluntária” das exportações brasileiras rompem com as regras de livre comércio do bloco. Na prática, são comércio administrado. No início, os argentinos argumentavam que eram apenas acordos temporários, para ajudar o país a sair da crise. Mas já faz tempo que a crise vai longe e que a Argentina cresce robustamente.

O empresariado brasileiro reclama muito do país presidido por Cristina Kirchner e esquece dos benefícios do Mercosul. Não dá para ignorar que a Argentina é um dos principais clientes da nossa indústria no exterior – ou seja, o Brasil ganha muito dinheiro no mercado vizinho. Só que regras são regras e não dá para rasgar os compromissos assumidos na formação do bloco, sob pena de tornar o Mercosul irrelevante.

Tudo o que sabemos sobre:

ArgentinaCristina Kirchnerprotecionismo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: