Boas notícias para a balança comercial?

Raquel Landim

22 de julho de 2010 | 14h12

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) anunciou há pouco a revisão de suas estimativas para a balança comercial brasileira. A entidade projeta um superávit de US$ 15 bilhões – 40% abaixo dos US$ 25 bilhões do ano passado, mas acima dos US$ 12 bilhões da previsão anterior.

As perspectivas para a balança comercial estão melhorando consideravelmente no decorrer dos meses. No início do ano, alguns analistas chegavam até a cogitar déficit em 2010. O razoável desempenho da balança comercial é, sem dúvida, uma boa notícia, porque ameniza as preocupações com a necessidade de financiamento externo do País. No entanto, é preciso olhar com cuidado a composição das exportações.

José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB e um dos especialistas mais respeitados em comércio exterior, chama a atenção para o aumento significativo da dependência brasileira das exportações de commodities, principalmente do minério de ferro.

Segundo suas estimativas, pela primeira vez, um único produto ultrapassará a marca de US$ 20 bilhões em exportações. As vendas externas de minério de ferro devem atingir US$ 24 bilhões graças aos expressivos reajustes de preço praticados pela Vale. Se isso ocorrer, esse produto será responsável por 72% do superávit brasileiro.

Minério de ferro, complexo soja (grão, farelo e óleo), petróleo e derivados devem representar 30% das exportações brasileiras este ano. Castro projeta que, pela primeira vez em 32 anos, o Brasil vai exportar mais básicos (43,7% do total) que manufaturados (40%).

Mesmo com a crise global, a China não diminuiu seu apetite por commodities. As compras do gigante asiático puxam os preços e favorecem países como o Brasil. Nesse cenário, a posição brasileira de fornecedor de produtos primários é uma benção. O problema é que os preços das commodities são tradicionalmente cíclicos. Até quando esse “bônus” vai durar?

 

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