Embraer e inovação na China

Raquel Landim

28 de julho de 2010 | 18h41

A China está se tornando cada vez mais agressiva em usar seu vasto mercado para forçar as companhias estrangeiras a transferir tecnologia de ponta para o País. Essa é a principal conclusão de um relatório da Câmara Americana de Comércio divulgado pelo Wall Street Journal.

Executivos ouvidos pela entidade revelam diferentes táticas para uma política estatal que definem como “o plano de um roubo tecnológico em uma escala que o mundo nunca viu”. O governo chinês criou uma lista de produtos nacionais que contém inovação tecnológica local. As empresas estrangeiras temem que isso feche as portas de bilionárias licitações públicas para seus produtos.

O país asiático também reviu recentemente uma legislação que torna mais fácil para as companhias chinesas utilizar suas patentes locais para bloquear a entrada de competidores estrangeiros. Outro exemplo é o esforço chinês para criar um avião de passageiros nacional. Multinacionais como General Eletric e Eaton foram selecionadas para fornecer peças, mas em parceria com um sócio chinês e com o compromisso de transferir tecnologia.

Essa questão está longe de interessar apenas a americanos e europeus e deveria também estar no radar do Brasil. A Embraer foi bastante prejudicada por essa política. O governo chinês negou as licenças de importação para que a empresa brasileira entregasse aviões já vendidos.  Depois começou a fazer pressão para a Embraer produzir no país seu novo modelo de 190 lugares. As dificuldades colocam em risco a viabilidade da fábrica da companhia na China.

O receio da empresa brasileira é o mesmo das companhias americanas que protestaram no relatório divulgado pelo WSJ. Depois de transferir sua tecnologia, as empresas temem não só serem deixadas de lado no mercado local, mas também passar a concorrer globalmente com rivais que ajudaram a criar. Por outro lado, a penalidade imposta por Pequim para quem não quiser entrar no jogo é ficar fora da China, o mercado que tem mais perspectivas de crescer no mundo. O que escolher: bons resultados hoje ou sobrevivência futura? Decisão difícil.

 

Siga o blog no twitter: twitter.com/raquellandim

Tudo o que sabemos sobre:

ChinaEmbraerWSJ

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.