Lula, exportações recordes e petróleo

Raquel Landim

04 de janeiro de 2011 | 15h42

Publiquei uma análise hoje no Estadão sobre os resultados da balança comercial brasileira em 2010. O País obteve um bom desempenho em suas transações com o exterior, apesar da crise, que derrubou o comércio global, e do real forte, que reduziu a competitividade das empresas brasileiras. O superávit chegou a US$ 20,3 bilhões, apenas R$ 5 bilhões a menos que em 2009. As exportações superaram a marca histórica de US$ 200 bilhões e terminaram o último ano do governo Lula em US$ 201,9 bilhões.

As commodities foram as principais responsáveis por esse resultado. Só de minério de ferro, petróleo e soja em grão, o Brasil vendeu mais de US$ 56 bilhões. Os aumentos do volume exportado não foram significativos, mas os preços das matérias-primas estão nas alturas. O lado negativo disso é a maior dependência da pauta exportadora brasileira. Pela primeira vez desde 1978 – ou seja em 32 anos, idade da autora deste post, o Brasil exportou mais commodities que manufaturados. Os produtos básicos responderam por 44,6% das exportações, comparado com 39,4% dos manufaturados.

O mais surpreendente e intrigante, no entanto, foi o resultado da balança comercial de dezembro. No mês passado, o País embarcou US$ 20,9 bilhões em produtos para o exterior. São as maiores exportações em um único mês em todos os tempos (apesar da nota do governo mencionar que eram recordes para meses de dezembro). O recorde anterior era de julho de 2006, quando o Brasil exportou US$ 20,4 bilhões. O resultado é inesperado, porque dezembro é um mês sazonalmente mais fraco. As exportações brasileiras estão concentradas em meados do ano, quando a safra de soja é escoada.

Uma análise mais cuidadosa mostra que o petróleo ajudou o presidente Lula a fechar os seus oito anos de governo com exportações recordes. Em dezembro, o País exportou US$ 2,81 bilhões em petróleo bruto, simplesmente 191,5% a mais que no mesmo mês de 2009. E se engana quem pensa que isso é efeito de preços altos. Enquanto as cotações do produto subiram apenas 4,3% no período, a quantidade embarcada cresceu impressionantes 179,5%.

As exportações de petróleo são confusas. Os números da Petrobrás nunca batem com os do governo. E a estatal possui um sistema diferente de registro dos seus embarques para o exterior. Enquanto a maior parte das empresas preenche um registro de exportação  a cada venda, a estatal envia de tempos em tempos um pacote ao governo com um volume concentrado de exportações. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram um forte aumento das exportações de petróleo na quarta semana de dezembro. Com certeza, uma benção para o fim do governo Lula.

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