O futuro da Vale e a balança comercial

Raquel Landim

19 de janeiro de 2011 | 14h06

O ministério do Desenvolvimento divulgou ontem o detalhamento da balança comercial de 2010. No meio de várias tabelas, está um ranking dos maiores exportadores brasileiros. Os dados confirmaram uma tendência que já aparecia desde meados de 2009: a Vale, maior empresa de minério de ferro do mundo, tornou-se a maior exportadora do Brasil.

As vendas externas da Vale somaram US$ 24 bilhões no ano passado, uma alta de 122% (!) em relação a 2009. Boa parte disso é consequência do aumento dos preços do minério de ferro, que já se aproximam de US$ 200 por tonelada novamente, impulsionados pelo apetite da China por commodities.  A empresa desbancou a estatal Petrobras, que exportou US$ 18,2 bilhões para o exterior no ano passado. 

Já escrevemos diversas vezes aqui sobre a importância do bônus do minério de ferro para a balança comercial brasileira. A Vale exportou mais que todo o superávit da balança, que foi de US$ 20,3 bilhões. Em apenas um ano, a mineradora incrementou suas vendas externas em US$ 13 bilhões (em 2009, suas exportações foram de US$ 10,8 bilhões). Só esse aumento significou 65,2% do superávit do País.

Em entrevista à Agência Estado, José Carlos Martins, diretor-executivo da Vale, fez questão de frisar a importância da empresa para a balança comercial. “Temos também exportação indireta por meio da Samarco, da qual possuímos 50%. Se incluirmos essa participação, os números ficam ainda mais expressivos”, afirmou. Em 2010, a Samarco exportou US$ 3,214 bilhões, ocupando a quinta colocação no ranking.

Apesar dos resultados positivos, a Vale atravessa um momento delicado. Mais uma vez, a especulação em torno da substituição do seu presidente, Roger Agnelli, corre solta. E o principal “patrocinador” da saída do executivo seria o governo federal, que estaria interessado em ter um maior controle sobre a empresa. Não é de hoje que integrantes do governo criticam Agnelli por relutar a investir em siderurgia. Com o excesso de produção mundial de aço, novas plantas siderúrgicas hoje rendem votos para os governadores dos Estados que as recebem, mas não são bom negócio para os acionistas da Vale.

A notícia é, sem dúvida, relevante e importante, e veio num momento em que a Vale precisa mostrar os benefícios que uma empresa bem gerida pode trazer para o País.

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