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O Mercosul de Dilma Rousseff

Raquel Landim

25 de maio de 2011 | 17h25

Terminou em fracasso ontem a reunião de “conciliação” entre Brasil e Argentina. Nas palavras de uma graduada fonte do governo brasileiro, “não houve avanço, nem retrocesso”. Para os empresários, é uma péssima notícia. Significa que produtos de ambos os países continuarão parados na fronteira a espera das famigeradas licenças não-automáticas de importação, que funcionam como uma barreira burocrática para travar o comércio.

O relacionamento entre os sócios do Mercosul atravessa uma de suas piores fases desde que o Brasil começou a exigir essa documentação adicional dos carros argentinos, provocando filas de caminhão-cegonha na fronteira. A culpa, no entanto, não é do governo brasileiro. Em realidade, o País apenas reagiu às diversas barreiras que a Argentina vem aplicando. A lista de produtos afetados pelo protecionismo do governo Kirchner é longa: calçados, geladeiras, máquinas agrícolas, chocolates…

Na reunião encerrada ontem, o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, deixou claro ao seu colega brasileiro, o secretário-executivo do ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, qual é o real interesse do seu país. De acordo com um negociador, o governo de Cristina Kirchner quer estabelecer cotas para os produtos brasileiros que hoje são alvo da burocracia argentina.

A sensação para o blog é de “dèjá vu”. Primeiro, os argentinos estabelecem licenças não-automáticas. Depois, barram os produtos na fronteira. Por fim, com a “faca no pescoço” dos empresários brasileiros, querem negociar acordos de “restrição voluntária” das exportações. Um eufemismo para limites quantitativos que ferem o espírito do Mercosul. Uma série de produtos já estão submetidos a esse tipo de acordo.

O Brasil prometeu estudar o assunto e pretende reunir os setores produtivos. Não descarta a possibilidade, mas vai exigir contrapartidas. A Argentina está utilizando a mesma tática de sempre, mas deveria ficar mais atenta. O Brasil já deu mostras de que não é mais o mesmo. As filas de carros parados na fronteira demonstram isso. O País não hesitou em atingir a Argentina no setor mais importante do comércio bilateral.

O Mercosul de Dilma Rousseff é diferente do bloco idealizado por Luiz Inácio Lula da Silva. No governo Lula, os empresários reclamavam informalmente – ninguém tinha coragem de vir a público – de que eram “encorajados” a aceitarem os acordos de “restrição voluntária” das exportações. O argumento dos diplomatas era que o Brasil precisava apoiar a reindustrialização da Argentina. Com o seu próprio governo jogando contra, que força tinham os brasileiros nas mesas de negociação? Vamos ver qual será a postura do governo Dilma nas ácidas discussões de cotas que estão por vir.

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