O risco de deixar de ser “emergente” – 2

Raquel Landim

19 de abril de 2011 | 17h53

Abordamos recentemente no blog um novo desafio que o Brasil enfrenta no cenário internacional: deixar de ser uma economia emergente. Na época, citamos um artigo do economista Jim O’Neill. Criador da sigla BRIC, O’Neill defendeu que Brasil, Rússia, Índia e China não podem mais ser considerados economias emergentes e sugere uma nova classificação: “mercados em crescimento”.

No post anterior, comentamos que os países ricos estão assumindo esse discurso e cobrando mais do Brasil nos fóruns internacionais. Deixar de ser um país emergente pode significar uma “armadilha”  nas negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), com pedidos por mais abertura do mercado brasileiro para produtos industriais.

Matéria do colega Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, publicada hoje deu um toque de realidade a essa discussão teórica. A União Europeia avisou que, no próximo mês, vai retirar o Brasil de seu sistema de preferências tarifárias para as exportações dos países pobres. Estados Unidos e Japão devem seguir o mesmo caminho, pois já faz tempo que ameaçam o País.

Os sistemas de preferências tarifárias dos países ricos foram criados há 16 anos, ainda na Rodada Uruguai. A ideia era reduzir as barreiras de entrada para as exportações das nações pobres e estimular o seu desenvolvimento por meio do comércio. Com a ajuda desses mecanismos, produtos brasileiros entram nos maiores mercados do mundo pagando tarifas de importação mais baixas, o que ajuda a compensar, pelo menos parcialmente, a alta competitividade dos concorrentes chineses.

Realmente não é justo manter o Brasil na mesma classificação do Malawi e de Burkina Faso. Já era quase certo que o País seria excluído desses sistemas em breve, mas a confirmação com certeza não chega em boa hora para a indústria, que enfrenta forte perda de mercado por causa do real forte. A política externa do Brasil tem sido de afirmação de seu lugar no mundo. O que está correto, mas, obviamente, tem um custo.

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