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Os desafios da segunda maior economia do mundo

Raquel Landim

15 de fevereiro de 2011 | 14h45

A China ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior economia do mundo. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão somou US$ 5,47 trilhão, cerca de 7% a menos que o da China, que chegou a US$ 5,88 trilhão. A mudança já era altamente esperada por todos os analistas, mas nem por isso deixa de ser um marco importantíssimo na história da economia mundial.

É a emergência de uma nova potência. E muitos se perguntam: estamos assistindo ao início do “império amarelo”? Se continuar no ritmo atual, a China deve ultrapassar os Estados Unidos e se tornar a maior economia do mundo em 2030. Os chineses já são os maiores consumidores de energia e o maior mercado de veículos do planeta.

O desempenho excepcional dá legitimidade ao controverso regime comunista, que combina abertura econômica e repressão política. Só que mesmo os líderes do Partido Comunista sabem que a China não está pronta para liderar o mundo. Pelo menos não neste momento.

China e Japão, somados, não atingem o PIB dos Estados Unidos, que chegou a US$ 14,66 trilhão em 2010, apesar da crise econômica. Os desafios para os chineses ainda são grandes. Vivem na China mais de 1,3 bilhão de pessoas. Essa imensa população é sua força e sua fraqueza. Garante mão de obra barata e crescimento econômico espetacular, mas impõe desafios sociais na mesma proporção.

Uma matéria publicada ontem pelo Wall Street Journal (WSJ) mostra que o PIB per capita da China equivale a 1/10 do japonês. O Banco Mundial estima que mais de 100 milhões de chineses (o equivalente a toda a população do Japão) vive com menos de US$ 2 por dia. A China ainda não tem multinacionais com influência global, como as japonesas Toyota e Sony. E, apesar do avanço tecnológico, os produtos chineses convivem com o estigma de serem “bugigangas” sem qualidade. 

Se ainda não é possível cravar que a China vai substituir a influência americana (econômica, cultural, política e militar) no planeta, já está claro faz tempo que não é possível ignorar o gigante asiático. Os países precisam de estratégias para se relacionar com esse país. É um desafio e tanto, que os próprios EUA ainda não conseguiram solucionar. O Brasil tampouco avançou muito, embora a China já seja o nosso maior parceiro comercial. Falta ao governo brasileiro e ao setor privado uma visão clara sobre que relacionamento desejam com a segunda maior economia do mundo.

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