Os subsídios agrícolas dos BRICS

Raquel Landim

22 de junho de 2011 | 16h15

O colega Assis Moreira, correspondente do jornal Valor Econômico em Genebra, publicou hoje uma matéria que merece destaque. Ele teve acesso a um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre subsídios agrícolas que traz uma revelação importante. China e Rússia já concedem um apoio financeiro aos seus agricultores similar ao dos países ricos.

Conforme os dados, os subsídios representam 17% da produção agrícola na China e 22% na Rússia. Na OCDE, clubão de países ricos, o apoio aos agricultores está em 18% da produção. Em post anterior, o blog já chamava a atenção para o protecionismo agrícola chinês. Não há dados na matéria sobre a Índia, que também concede generosos subsídios agrícolas. No Brasil e na África do Sul, os subsídios são apenas 5% da produção.

Esses dados são um alerta para a diplomacia brasileira. Os países do chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e agora África do Sul) tem cada vez menos pontos de convergência. No início do governo Lula, o Itamaraty obteve uma vitória importante ao agregar as nações pobres em torno da bandeira do fim dos subsídios agrícolas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Evidentemente isso não vai mais funcionar.

Também vale ressaltar o aspecto comercial. Os grandes gigantes emergentes já são importantes clientes do agronegócio brasileiro e seu consumo de alimentos cresce exponenciamente. Nos países ricos, o consumo de comida está estabilizado. Além disso, Estados Unidos e União Europeia vem cortando subsídios agrícolas por conta do forte ajuste fiscal imposto pela crise global. As recentes derrotas do lobby agrícola no Congresso dos EUA são prova disso. Já nos grandes emergentes os subsídios agrícolas estão subindo.

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