Política externa e eleições

Raquel Landim

27 de julho de 2010 | 14h39

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que “até as árvores da Floresta Amazônica” sabem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá abrigo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Poucos dias atrás, seu companheiro de chapa, o candidato à vice-presidente Índio da Costa, foi duramente criticado por ligar o PT ao grupo terrorista.

Os comentários ganharam destaque nos meios de comunicação. Os analistas políticos explicam que Serra deixou de se apresentar como o pós-Lula e partiu para o ataque em busca de um eleitorado mais conservador. Por enquanto, esse ataque está concentrado na política externa. Mas porque o tucano elegeu a política externa como alvo?

Primeiro, porque é a face mais esquerdista do governo Lula. Ao manter a política macroeconômica – câmbio flexível e metas de inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a política externa para afagar as alas mais radicais do PT. Sob a forte influência do professor Marco Aurélio Garcia, Lula implementou uma política externa de “solidariedade” com os países pobres e tratou muito bem governantes que atacam os Estados Unidos, como Chávez e o boliviano Evo Morales.

Segundo, porque a política macroeconômica “conservadora” funcionou e hoje é difícil para a oposição atacar o desempenho da economia brasileira. O PIB deve crescer 7% este ano, a inflação se mantém controlada, e a taxa de desemprego está em um nível historicamente baixo. Os maiores problemas do País hoje são o aumento da dependência de capital externo e os gastos públicos – conceitos complicados para o eleitor médio.

Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que a política externa aparece como tema central em uma campanha presidencial no Brasil. Mas será que a estratégia de atacar o companheirismo de Lula e Chávez vai  se transformar em votos? Normalmente os brasileiros “não estão nem aí” para a política externa e sua principal preocupação é o salário no fim do mês. Lula escolheu essa área para agradar a esquerda do PT exatamente por  sua pouca importância junto à população. Se a estratégia do PSDB funcionar, vai marcar uma mudança e tanto nas percepções do eleitor brasileiro.

 

 

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