Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Cadastro positivo, é esperar para ver

Denise Juliani

23 de maio de 2011 | 22h16

Na semana passada, depois de anos de discussão, o Senado finalmente aprovou a criação do Cadastro Positivo, a lista de bons pagadores. Agora só falta a presidente Dilma sancionar.

A notícia é boa para quem paga suas contas em dia, pois poderá negociar juros mais baixos quando tomar empréstimos. A má notícia é que isso ainda vai levar anos para acontecer. Primeiro é preciso colocar o sistema para funcionar e aguardar a adesão dos consumidores, que é voluntária.

Seu oposto, o cadastro negativo, é bem conhecido dos brasileiros. Todo mundo sabe que ficar com o “nome sujo”: fecha as portas do crédito, que só se reabrem quando os atrasados são honrados. Além disso, os dados desses consumidores passam a formar o índice de inadimplência, que é usado pelos bancos e lojas para calcular os juros dos novos empréstimos.

No cadastro positivo, os consumidores serão classificados de acordo com seu histórico de operações. Quem tem boa pontuação poderá negociar taxas menores toda vez que for comprar parcelado ou pegar dinheiro emprestado no banco. Se deixar de pagar uma mensalidade, ele não sai do cadastro, mas esta informação entra no seu histórico, o que resultará em redução da sua pontuação.

Como todas as compras a crédito e financiamentos realizados por este cliente entram na base de dados do cadastro positivo, os bancos e as lojas poderão avaliar com mais precisão qual é o risco de calote que ele representa. É só pesquisar quantos financiamentos ativos ele tem e confrontar com a renda declarada para se chegar à capacidade de pagamento, o que hoje não é possível.

A inadimplência é o principal componente do spread (diferença entre o custo de captação e o juro cobrado do tomador do crédito). Segundo dados de 2009 do Banco Central, a provisão para calotes representa 32,2% do valor final do spread. Por isso, é natural que para um bom pagador este custo seja menor. 

No levantamento, os impostos correspondiam a 22,4% do spread bancário. Os custos administrativos eram 15,8% do total e o lucro das instituições financeiras nas operações de crédito equivalia a 27,9%.

Mas qual o tamanho do desconto na taxa de juros que eu vou poder pedir quando o sistema estiver funcionando? Para o professor Celso Grisi, presidente do instituto de pesquisas Fractal, no caso de um consumidor com bom histórico de crédito, o peso da inadimplência deveria sofrer um corte de pelo menos 17%.

E porque a parte da inadimplência não pode ir a zero no caso de um consumidor que nunca deixa de pagar suas contas? É que, ninguém, por mais correto e organizado que seja, está livre do risco de atrasar pelo menos uma prestação. Por isso, na composição do spread sempre haverá uma fatia (mesmo que muito pequena) referente ao risco de calote.

Tanto o sujeito que paga as contas sempre em dia, mas que tenha muitas prestações em curso (maior comprometimento da renda), como aquele que tenha atrasado alguma coisa (‘manchando’ um pouco seu histórico) terão um juro um pouco maior do que alguém com ficha limpa e poucas prestações em andamento. É esperar para ver.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.