Cartão de crédito, use com moderação

Denise Juliani

24 de janeiro de 2011 | 15h20

O cartão de crédito pode ser um aliado ou um vilão das finanças pessoais. Se bem usado, o dinheiro de plástico, como é conhecido, pode ser muito útil. Nas viagens ao exterior, por exemplo, ter um cartão internacional é fundamental.

 Quem faz compras pela internet também não pode prescindir do cartão. Bem, é até possível, pois existem outras maneiras de efetuar o pagamento, mas plástico acaba sendo mais prático. Além disso, como com o cartão a aprovação da compra sai na hora, agiliza a entrega do produto em relação ao boleto bancário.

Já apelar ao dinheiro de plástico para pagar contas de água, luz e telefone, por exemplo, só vale a pena se a pessoa quiser concentrar o vencimento destas despesas fixas em uma mesma data, de preferência para o dia em que recebe o salário. Usado desta forma o produto é um aliado no controle das despesas.

O pior dos mundos é quando o consumidor perde o controle dos gastos com o cartão e acaba entrando no chamado crédito rotativo, quando a fatura não é paga integralmente no vencimento. Sobre a quantia que não foi paga pesa uma das maiores taxas de juros do mercado.

O quadro se complica quando o consumidor tem seus gastos recorrentes na fatura mensal que está em atraso. Este é o primeiro passo em direção à inadimplência, pois a tendência é de a bola de neve crescer a uma velocidade estonteante.

Um dos principais argumentos usados pelas instituições para “empurrar” mais um cartão de crédito para o cliente é o de que com vários cartões fica mais fácil administrar a vida financeira, jogando com os vários vencimentos. Não caia nessa.

Com vários plásticos no bolso o mais provável é que ocorra justamente o contrário: o descontrole da situação financeira. Por isso muita gente tem optado por ficar com um só, escolhendo aquele que melhor atende as suas necessidades.

A questão do uso correto desta forma de pagamento é tão séria que foi tema de um congresso latino-americano do sistema financeiro realizado em abril do ano passado no Rio de Janeiro. Durante o evento, o representante da Comissão Nacional para a Proteção e Defesa dos Usuários dos Serviços Financeiros (Condusef), órgão do governo mexicano, divulgou um guia de uso do cartão de crédito.

Confira as dicas. Para quem ainda não tem cartão, antes de aceitar a primeira proposta, compare entre os diversos produtos do mercado e escolha o que mais se ajusta as suas necessidades e capacidade de pagamento. Informe-se sobre as taxas de juro, tarifas, seguros oferecidos, benefícios e responsabilidades. Antes de assinar o contrato esclareça todas as dúvidas.

Faça os gastos sempre dentro do seu orçamento ou em caso de emergência. Nunca o considere como dinheiro extra para gastar acima da sua renda. Pague pontualmente as faturas. Para quem tem dívida no cartão o ideal é pagar sempre acima do mínimo. Se a dívida for muito grande em relação a sua capacidade de pagamento, tente tomar um empréstimo a juros mais baixos e negociar desconto para a quitação.

NAS ALTURAS

Os juros do cartão de crédito são os mais altos do mercado para pessoa física. De acordo com levantamento da Anefac, em dezembro o juro médio cobrado no rotativo era de 10,69% ao mês (238,30% ao ano). O cheque especial cobrava, em média, 7,57% ao mês (140,05% ao ano). Já o juro médio da linha do crédito direto ao consumidor dos bancos era de 2,40% ao mês (32,92% ao ano).

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