Cheque especial não faz parte da renda

Denise Juliani

28 de junho de 2011 | 16h46

Tente abrir uma conta corrente em qualquer banco e diga que não quer cheque especial. A menos que tenha um péssimo histórico bancário, ou insista muito a ponto de brigar com o gerente, dificilmente alguém consegue sair do banco sem um limite de pelo menos R$ 500.

Não me entendam mal, considero o cheque especial uma ótima ferramenta, pois é um crédito sempre à mão para ser usado em caso de necessidade. Uma despesa inesperada, uma emergência. Não aquela bolsa maravilhosa que combina perfeitamente com aquele sapato que você acabou de comprar. Muito menos para cobrir as despesas correntes do mês.

O grande problema do cheque especial é ele ser confundido com o saldo disponível. Esse dinheiro é do banco, que cobra juros bem salgados por seu uso. Mas como em geral esta linha de crédito espertamente aparece no extrato ou no saldo logo abaixo da informação sobre o volume realmente disponível é bem fácil a gente achar que aquele dinheiro é nosso.

A situação se complica quando o cliente fica com a conta corrente no vermelho com mais frequência do que seria recomendável. Um conhecido meu é assim. Por pura desorganização, ele passa meses com a conta entrando e saindo do negativo. Isso acontece porque ele comete um erro básico, deixa que os boletos de luz, água, telefone e internet, cartão de crédito, caiam no débito automático em dias anteriores à entrada do salário.

Com paciência e disposição é possível mudar o dia de vencimento da maioria dessas contas. Quando isso não for possível o jeito é fazer uma reserva com o valor aproximado para que a despesa seja paga em dia sem pressionar as finanças.

A situação desse meu conhecido não chegava a ser um problema pois a conta era coberta após alguns dias no negativo, mas ele estava desperdiçando dinheiro ao pagar juros para o banco sem necessidade. Foram meses e meses constantemente no vermelho a ponto de o gerente do banco sugerir a ele que tomasse um empréstimo pessoal para zerar o débito, pois as taxas são mais favoráveis.

Conforme pesquisa do Procon-SP, a taxa média do especial está em 9,5% e a do crédito pessoal em 5,6%. Assim, é possível tirar a conta corrente do vermelho a um custo mais interessante.

Tomando emprestados R$ 1.000 por 12 meses, as prestações são de R$ 117 (R$ 33 referem-se aos juros). Ao final de um ano, o desembolso é de R$ 1.404 (R$ 396 só em juros). Já esse mesmo valor rolando no cheque especial vira R$ 2.971 em um ano (R$ 1.971 apenas por conta dos juros).

No fim, ele nem precisou do crédito pessoal, pois tem uma caderneta de poupança no mesmo banco. Só que ele não queria mexer na aplicação. Tudo errado. O gerente mostrou que retorno da caderneta nem chega perto do que ele paga por estar no vermelho (com R$ 1.000 na poupança em janeiro, ele chegaria a dezembro com R$ 1.060). 

Assim, ele sacou da caderneta, cobriu o negativo e está acertando o fluxo de entrada e saída de dinheiro. O próximo passo é recompor a aplicação financeira. Agora sim!

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