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Clube de férias, cuidado com as ofertas ‘imperdíveis’

Denise Juliani

21 de março de 2012 | 20h08

“Seu nome foi selecionado por meio de promoções em postos de gasolina e órgãos comerciais para receber grátis um certificado totalmente quitado de nosso clube de campo, venha conhecer e ganhe uma bicicleta e uma máquina fotográfica, mesmo se não se associar”. Já recebeu uma correspondência parecida?

Em outra modalidade, promotores abordam pessoas, de preferência casais, em férias nas praias do Nordeste e os convidam a conhecer um dos hotéis participantes do clube. Para atrair a atenção, oferecem brindes como um jantar ou uso das instalações do resort por um dia

Quando os potenciais compradores chegam, a estratégia é sempre oferecer uma suposta vantagem ou fazer a pessoa se sentir especial, digna de um serviço “exclusivo”, “para poucos”. Tudo isso acompanhado de uma enxurrada de informações e argumentos bastante convincentes. Mais interessados nos brindes e nas vantagens, os compradores só registram os aspectos positivos do negócio, que o vendedor habilmente sabe explorar.

Depois de assinado o contrato, em muitos casos, vem o arrependimento. Nos clubes de férias, há reclamações de pessoas que se associam e simplesmente não conseguem reservar o hotel no período desejado, geralmente nas férias de verão, quando todo mundo quer. Na tentativa de cancelar o negócio, se deparam com uma série de exigências que passaram despercebidas.

Já no caso dos clubes de campo, é comum a família se associar durante um passeio, pagar a taxa de manutenção e nunca mais voltar. Acontece que na hora da filiação não costuma ficar claro que depois de dois anos o contrato se renova automaticamente e será preciso pagar novamente pela manutenção. Quando começam a chegar cobranças é uma correria para cancelar o acordo, o que, em geral, precisa ser feito pessoalmente na sede do clube, onde ocorre a inevitável tentativa de fazer o “sócio” renovar a parceria.

Ao que parece, a origem do problema nos dois casos é a venda mal feita. Com receio de perder uma “excelente oportunidade”, o consumidor acaba fechando o negócio sem tempo para refletir. É natural que os vendedores se esforcem para convencê-lo, afinal, eles ganham comissão por contrato assinado e não por visita.

Não estou querendo dizer que toda e qualquer promoção é uma furada, afinal, oferecer vantagens para atrair clientes é uma estratégia de venda usada desde sempre pelas empresas. Para separar uma boa promoção de uma futura dor de cabeça uma das regras é evitar a compra por impulso. Antes de conversar com o vendedor é importante pesquisar se há reclamações contra a empresa. Se forem muitas, e dependendo do teor das queixas, nem vale a pena perder seu tempo. Em 2010, o Procon-SP registrou 403 reclamações no item lazer, recreação e férias (inclui os clubes de campo e de férias). No ano passado, as queixas subiram para 599.

Se tiver interesse em conhecer o produto, assuma com você mesmo (e com a família, se forem juntos) o compromisso de não assinar nada na hora, mesmo que o vendedor diga que a oferta é por pouco tempo, “só vale para hoje”. Peça todas as informações por escrito e leve para ler em casa. Estude com calma, faça as contas, compare. E reflita bem se a relação custo benefício é favorável. Como diz aquele antigo ditado: é melhor prevenir do que remediar.

Denise Juliani

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