Com juro em baixa, o jeito é arriscar

Denise Juliani

27 de agosto de 2012 | 17h28

 

Na próxima quarta-feira, dia 29, ocorre mais uma reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e a projeção do mercado financeiro é de que a taxa básica de juros, a Selic, será reduzida para 7,5% ao ano (hoje está em 8%). Se já estava difícil obter uma boa rentabilidade com aplicações de renda fixa, a vida do investidor vai piorar um pouco mais.

Para obter um ganho real, ou seja, conseguir que seu dinheiro seja remunerado acima da inflação (em outras palavras, dê frutos e não apenas tenha seu valor de compra preservado), o investidor vai ter de gastar umas boas horas planejando suas aplicações. Não dá mais para simplesmente colocar os recursos em um fundo de renda fixa que acompanhe a Selic e ir cuidar da vida. Ou melhor, até dá, mas seus investimentos vão crescer muito devagar.

O consenso do mercado financeiro é de que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumule 5,66% nos próximos 12 meses. Mantida a Selic em 7,5% pelo mesmo período, o resultado é um ganho real de apenas 1,74% ao ano.

Mas não pense que acabou. Desse número ainda será preciso descontar a taxa de administração do fundo e o Imposto de Renda (IR). Vamos supor que o fundo cobre taxa de administração de 1% ao ano. Mesmo que ele renda a Selic “cheia” (7,5% ao ano), descontada a remuneração do gestor da carteira, sobram 6,5% ao ano. Frente à inflação de 5,66% (do IPCA de 12 meses, lembra?) o ganho real cai para 0,80%.

Ainda falta tirar a parte do governo. Vamos considerar um prazo entre seis meses e um ano (181 a 360 dias), que cai na alíquota de 20% do IR. Aplicada sobre aquele 0,80%, a rentabilidade real líquida desce para 0,64%.

Resumo da ópera: uma aplicação de R$ 10 mil em um fundo DI com taxa de administração de 1% vai resultar em um ganho real líquido de R$ 64 em um ano. Relembrando: ganho real é o rendimento descontada a inflação. Ganho real líquido é o que efetivamente o investidor coloca no bolso, depois de descontado o pagamento do gestor (taxa de administração) e o do governo (sob a forma de Imposto de Renda).

Assim, quem quer ver seu patrimônio crescer de verdade em um ambiente de juros cada vez mais baixos precisa planejar muito bem suas aplicações. E, para ganhar mais, vai ter que correr mais riscos. Investimentos conservadores como os fundos DI são mais seguros, mas servem apenas para preservar o poder de compra do dinheiro.

Se todas as suas aplicações estão em um fundo DI, o primeiro passo é definir em quanto tempo você pretende usar o dinheiro. Se for uma reserva para emergências, não precisa mexer, mas certifique-se de que o volume está adequado à necessidade. Os especialistas recomendam que esta reserva seja suficiente para bancar suas despesas por pelo menos seis meses. Se tiver menos que isso, guarde mais até completar o nível. Se a quantia for maior, pesquise alternativas.

Para prazos acima de um ano, os especialistas indicam fundos multimercado, que operam com vários ativos – renda fixa, câmbio, ações, derivativos.

A rentabilidade média dos fundos DI acumulada no ano, até julho, foi de 5,46%. No mesmo período, os fundos multimercado Macro registraram ganho de 11,36% e os multimercado Multiestratégia renderam 9,06%. Em 12 meses, enquanto os fundos DI deram 10,59%, os Macro ganharam 21,30% e os Multiestratégia, 15,17%. Os dados são da Anbima.

Os fundos DI são aqueles que investem, no mínimo, 95% dos recursos em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou Selic. Os multimercado Macro operam em vários ativos e definem as estratégias de investimento com base em cenários macroeconômicos. Já os Multiestratégia podem adotar mais de uma estratégia de investimento, sem o compromisso de se dedicar a uma em particular.

Denise Juliani

(publicado no Jornal da Tarde, em 27/08/12)

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