Consumo consciente faz bem ao bolso

Denise Juliani

09 de abril de 2012 | 20h20

Conhece a história do sujeito que comprou um cortador de grama e depois não tinha onde usar nem sequer onde guardar porque morava em um apartamento? E quando perguntado sobre o motivo de compra tão insólita respondeu que não resistiu porque o produto estava pela metade do preço. Depois de meses com o aparelho entulhando a área de serviço, enfiado entre o tanque e a máquina de lavar, o sujeito anunciou o cortador de grama no mural do edifício e conseguiu vendê-lo por metade do que tinha pago.

A compra por impulso é um verdadeiro veneno para as finanças pessoais. Se em vez de cair na conversa do vendedor, o nosso personagem tivesse dado uma volta e tomado um café enquanto pensava no assunto, provavelmente teria evitado este gasto desnecessário.

Está achando o exemplo meio surreal? Pois saiba que é mais comum do que parece. “Onde eu estava com a cabeça quando comprei esta camisa que não tem nada a ver com meu estilo e não combina com absolutamente nada em meu guarda-roupas”. Soa familiar? Neste outro exemplo, a compra parecia uma ótima ideia, pois a camisa, que era anunciada por R$ 200, agora estava sendo oferecida por R$ 100. E mesmo que estivesse sendo vendida por R$ 50 ou mesmo R$ 10… Valeria a pena? Claro que não. É uma peça inútil que não será usada e ainda ocupa espaço no armário.

Não estou querendo dizer que comprar é uma coisa ruim. A necessidade de consumir é legítima, aquece a economia, contribui para a criação de empregos e para o progresso econômico. Porém, nas últimas décadas, consumir se tornou um verdadeiro vício, a ponto de levar as pessoas a aquisições totalmente desnecessárias.

O educador financeiro Marcos Silvestre tem um bom argumento em favor do consumo consciente. “No tempo de nossos avós, quando não havia essa onda desenfreada de consumismo, tinha-se o hábito saudável de usar as coisas até gastarem. Para um ‘consumidor moderno’, isso talvez até pareça, avareza. Porém, hoje, ser ainda mais moderno é ter visão ecológica. Dê sua cota de contribuição individual para a natureza, cooperando para reduzir a emissão de gases poluentes e para diminuir a quantidade de lixo não reciclável no planeta”, sugere em seu livro “12 meses para enriquecer, o plano da virada”. Saiba mais aqui.

De acordo com o Instituto Akatu, hoje já consumimos mais de 30% do que a Terra pode repor em recursos naturais e apenas 16% da população do planeta abocanham 78% desses recursos. Se esse padrão de desperdício na produção e no consumo fosse estendido para os 84% da humanidade que pouco consomem, seriam necessários cinco planetas para suprir essa demanda.

E como efeito mais imediato, o dinheiro gasto com ‘bobagens’ poderia ter um destino bem melhor dentro do planejamento financeiro individual ou familiar. Evitar a compra por impulso e o descarte desnecessário de produtos, fazem bem para o planeta e para o bolso.

Denise Juliani

publicado no Jornal da Tarde em 09/04/2012

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