Dez anos é muito ou pouco? Depende

Denise Juliani

30 de agosto de 2010 | 17h37

É consenso entre os consultores financeiros que o mercado de ações é um investimento com altíssimo potencial de rentabilidade. Em contrapartida, exige paciência e perspectiva de longo prazo. Mas, afinal, o que é o longo prazo? A resposta em geral é: dez anos, no mínimo. Aplicar agora para colher os frutos só depois de dez anos é muito? Depende do horizonte de cada investidor.
Para quem tem 20 anos e vê o mercado de ações como um meio de formação de poupança para a aposentadoria, dez anos é só o começo. A rigor, este jovem poderá investir tranquilamente ao longo de até 40 anos, um tempo mais que suficiente para que ele se recupere das quedas que certamente acontecerão no meio do caminho. Mas para quem está mais próximo da aposentadoria, dez anos pode ser um prazo muito curto. O que não significa que os mais maduros precisam passar longe da Bolsa. De acordo com dados da BM&FBovespa, os investidores com mais de 55 anos estão cada vez mais presentes no mercado de ações. Em julho, correspondiam a 25% do número de pessoas físicas, somando 152.088 acionistas, com um volume financeiro de R$ 62 bilhões, ou 60% do segmento.
O segredo é manter uma boa proporção entre tempo e tamanho da carteira. Não importa a idade, aplicar todo o capital financeiro em ações é um risco muito alto. Uma das principais recomendações dadas pelos consultores é a de que, do total a ser investido em ativos financeiros, a fatia que o aplicador vai colocar na Bolsa deve ser proporcional ao tempo que ele pode esperar para realizar os ganhos. Quanto mais tempo, maior a porção. Talvez apenas a um recém-nascido seja recomendável colocar todo o dinheiro na Bolsa. E mesmo assim, no primeiro aniversário seria aconselhável avaliar se não é o caso de transferir uma pequena parcela para um ativo de renda fixa.
Mas também é fato que hoje o brasileiro vive mais e, portanto, tem mais tempo para esperar pela maturação de suas aplicações. Quem nunca ouviu dizer que uma pessoa de 40 anos hoje seria como alguém de 30 do tempo de nossos pais? Assim, os atuais 60 seriam os novos 50, por exemplo.
Em dez anos muita coisa muda. No começo do ano 2000, por exemplo, o mundo respirava aliviado porque o caos previsto com o tal bug do milênio – quando os computadores “enlouqueceriam” na virada do relógio de 1999 para 2000 – não aconteceu. O iPod, nem tinha sido inventado e hoje praticamente todo mundo tem o seu.
Como você imagina que estará dentro de dez anos?

Denise Juliani

(publicado no Jornal da Tarde)

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