Discutindo a relação

Denise Juliani

31 de janeiro de 2011 | 16h26

Como parte do meu planejamento financeiro de começo de ano, decidi rever os gastos com cartões de crédito. Para iniciar meu inventário, tirei os tais cartões da gaveta e só então me dei conta de que tenho cinco plásticos. Isso mesmo, cinco.

Um deles foi meu primeiro, emitido na década de 80. Era um Credicard que fiz durante uma promoção, aquelas do tipo “indique um amigo”. Após alguns anos, esse cartão virou Mastercard e foi vinculado a um determinado banco, sem que eu tivesse conta corrente.

Anos mais tarde, quando abri uma conta neste banco fui “obrigada” a aceitar um cartão. “Mas eu já tenho”, disse à gerente. “Ah, mas esse não é vinculado à conta corrente e se você quer ter cheque especial, precisa ter cartão também”. Assim, fiquei com dois plásticos de um mesmo banco.

Tenho outro ligado a uma instituição onde eu recebia salário e que nem existe mais, foi comprada. Por sorte, eu não tinha conta no banco comprador, pois estaria com mais um plástico “vinculado à conta corrente”.

O quarto foi adquirido em uma promoção (ah, essas promoções!). Os funcionários da operadora foram até o meu trabalho e venderam para quase todo mundo. Diante da minha recusa sob o argumento de que já tenho vários cartões, a moça disse que a vantagem deste é que não tinha custo, desde que eu fizesse um pequeno gasto a cada três meses. Mas se eu quisesse ter direito a milhas em companhias aéreas e outros benefícios, teria de comprar o cartão Gold da mesma bandeira, com anuidade. Tentada pelos “benefícios”, fiquei com o mais caro.

O quinto é o que mais uso atualmente, pois é do banco onde recebo meu salário.

Como nunca deixo de pagar a fatura integramente, estou livre dos juros do crédito rotativo (que estão na casa dos 340% ao ano) mas isso não significa que o cartão não tenha custos, afinal, existe a tal anuidade.

Fiz as contas e concluí que meu gasto anual com essas tarifas é de R$ 630, o que dá R$ 52,50 por mês. Além disso, descobri que há uma diferença muito grande nas taxas dos meus vários cartões. Um deles me cobra R$ 72,00 por ano, com outro, gasto R$ 288,00 e em outro, R$ 270. A boa notícia é que com dois deles não tenho despesa, um porque está há tanto tempo na gaveta que não chegou a ser desbloqueado. E o outro me dá isenção, devido ao “ótimo relacionamento”: é neste banco que estão minhas economias.

Agora vem a parte difícil. Cancelar aquele sem uso e os dois mais caros. Horas de espera na linha do call center. Precisa ser firme para resistir aos descontos que a atendente promete. Eu já caí nessa, aceitei o desconto, mas no ano seguinte a tarifa voltou a subir.

Desta vez fui mais persistente que a moça e mantive minha decisão. Um já foi. Os outros vão ter de esperar que todas as compras parceladas sejam pagas. Tudo bem, eu volto depois.

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