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Faça seu IR e passe as finanças a limpo

Denise Juliani

18 de abril de 2012 | 14h46

Carla passou o fim de semana fazendo a declaração do Imposto de Renda. Juntou a papelada que estava devidamente guardada em uma pasta, só que meio bagunçada. Preencher a declaração de rendimentos é sempre mais fácil quando se tem um lugar certo para ir armazenando recibos e comprovantes ao longo do ano. Tem gente que é um primor de organização e classifica os papéis já na ordem exata em que vão ser lançados no documento a ser enviado para a Receita.

Como Carla só tem uma fonte de renda, sua declaração é fácil de preencher e ela escolheu o modelo completo, que lhe é mais favorável para efeito de restituição. Muita gente, por preguiça, falta de tempo ou mesmo medo de errar em alguma coisa e se complicar com a Receita acaba delegando a tarefa a um amigo ou parente mais experiente nesses assuntos. Há também quem prefira pagar um contador.

Mas é uma atividade que deveria ser encarada de outra maneira. Preencher a declaração de ajuste anual do IR é uma boa oportunidade de passar a limpo a vida financeira, pois colocamos na ponta do lápis as nossas receitas e as nossas grandes despesas. Está tudo lá: quanto entrou, quanto saiu e qual foi a variação patrimonial, ou seja, os bens e o dinheiro que acumulamos no período. Ao reunir todos esses números temos um verdadeiro retrato de nossa vida financeira dos últimos 12 meses e a chance de planejar o ano que está apenas começando.

Veja o caso de Carla. Ao observar os dados do extrato anual do banco em que mantém conta corrente, ela percebeu que pagou uma boa quantia em juros por ter ficado com a conta no vermelho em vários momentos do ano. E não foi por falta de dinheiro, mas por puro descontrole, algo que ela vai evitar que aconteça em 2012.

A mãe de Carla, dona Lucia, é aposentada e entra como dependente. Pela regra do IR, o benefício de dona Lucia, que recebeu cerca de R$ 7 mil no ano passado, é somado aos rendimentos de Carla. Só que o desembolso de Carla com o plano de saúde da mãe, que pode ser abatido, chegou a R$ 8 mil. Por fatores como este, ela vai receber uma boa restituição.

Para Carla, porém, o mais importante nisso tudo foi a terrível constatação de que, se não fosse pela sua ajuda, dona Lucia passaria por muitas privações se tivesse de contar apenas com o dinheiro do INSS.

O choque da descoberta levou Carla a tomar uma decisão que fará toda a diferença em seu futuro: começar já a poupar para a própria aposentadoria complementar. Nada indica que quando ela se aposentar pela previdência oficial receberá apenas o piso, pois sua situação profissional é diferente da de sua mãe, mas ela também não quer correr riscos, nem depender de filhos.

E como estava com os dados de sua vida financeira todos bem na sua frente, Carla aproveitou o fim de semana para fazer um planejamento de poupança para a aposentadoria. Vai começar a economizar a partir deste mês e já decidiu que o dinheiro da restituição vai todinho para um plano de previdência.

Denise Juliani

Publicado no Jornal da Tarde em 16/04/2012

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