Moderado, conservador ou arrojado?

Denise Juliani

13 Agosto 2012 | 16h48

Você é do tipo arrojado, que aceitaria dar um salto de paraquedas sem pestanejar? Ou prefere algo com menos adrenalina, tipo um passeio de conversível, vento na cara, mas com conforto? Talvez algo mais tranquilo, jantar com amigos, ver um bom filme? Se o passeio não estiver alinhado com a sua ideia de diversão, ele pode ser um verdadeiro tormento. O mesmo acontece com os investimentos.

No início dos anos 1990, a principal aplicação financeira do brasileiro era a caderneta de poupança. Os títulos do governo, hoje amplamente disponíveis por meio do Tesouro Direto, eram negociados apenas entre instituições financeiras. Os investidores comuns (indivíduos ou pequenas empresas) só tinham acesso a esses títulos por meio dos fundos de renda fixa. Operar diretamente na Bolsa também era difícil aos pequenos investidores. A quem quisesse aplicar naquele mercado era oferecido um fundo de ações. Mas a maioria das pessoas preferia mesmo a poupança.

Tanto que, naquela época, o total investido em fundos (de renda fixa e de renda variável) no Brasil representava metade do volume aplicado na caderneta. Ao longo dos anos, o setor de fundos cresceu e hoje movimenta cerca de R$ 2 trilhões, enquanto a poupança fechou o mês de julho com saldo de R$ 449 bilhões. Um salto e tanto.

De lá pra cá a economia brasileira se estabilizou e a inflação está controlada, resultando em crescimento do emprego e da renda dos brasileiros, que foram, aos poucos, aprendendo a poupar. O mercado financeiro amadureceu e hoje existem vários produtos à disposição de quem quer investir.

Diante de tanta oferta, é natural que as pessoas tenham dúvidas. A decisão de investir depende de múltiplos fatores, a começar pelo que se pretende fazer com aquele dinheiro que se quer colocar para render. Pode ser simplesmente proteger seus recursos da inflação, que é baixa no Brasil de hoje, claro, mas seu efeito corrosivo sobre o poder de compra da moeda continua existindo. A meta pode ser fazê-lo crescer para uso em algum momento no futuro – compra de um carro, de uma casa, uma viagem ou renda para a aposentadoria, por exemplo.

Outra variável é o tempo que se tem desde o início do investimento até seu provável uso. O lado psicológico do poupador também deve ser considerado. De nada adianta investir em ações, mesmo que seja esta a melhor opção após o cruzamento dos dados “prazo” e “objetivo”, se o dono do investimento não tiver sangue frio para suportar o sobe e desce típico desse ativo.

As classificações arrojado (ou agressivo), moderado e conservador foram criadas pelo mercado para tentar colocar o investidor na aplicação mais adequada. O arrojado seria então mais propenso ao risco e o mercado de ações não seria um problema. O conservador deveria ser direcionado exclusivamente a aplicações de renda fixa e o moderado poderia ficar com um pé em cada um.

Por isso, antes de qualquer coisa, é importante descobrir o seu perfil de investidor. Um começo: responder ao questionário disponível para todos os clientes bancários desde 2010. Trata-se da Análise do Perfil do Investidor (API), aplicada a todos os clientes antes que eles realizem um investimento. O objetivo é adequar a venda de fundos e outros produtos financeiros ao perfil correto de cada investidor, para evitar que alguém que não suporte correr riscos tire o dinheiro da poupança e aplique em ações, por exemplo.

Então, qual é a sua?

 

Denise Juliani (publicado no Jornal da Tarde em 13/08/12)