Petrobrás: investidor tem boas lembranças

Denise Juliani

20 de setembro de 2010 | 18h01

Com a oferta de ações da Petrobrás que termina nesta quarta-feira muita gente passou o final de semana fazendo contas. São apenas três dias para decidir se vale a pena entrar na operação.

Na lembrança da maioria das pessoas está a bem-sucedida operação realizada pela Petrobrás em 2000, quando o governo vendeu ao público uma boa parte dos papéis preferenciais (sem direito a voto) que tinha da estatal.

A grande sacada foi permitir que as pessoas usassem até 50% dos recursos da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da empresa. Esta opção transformou cerca de 300 mil trabalhadores – muitos que só conheciam o mercado de ações pelo noticiário – em sócios da estatal do petróleo. A transação era feita por meio dos Fundos Mútuos de Privatização-FGTS (FMP-FGTS).

A valorização de 532,54% registrada pelas ações preferenciais da Petrobrás de 2000 para cá é o principal atrativo citado por quem até hoje se arrepende de não ter entrado na operação. Os motivos naquela época iam de desconfiança no sucesso do investimento à pura e simples falta de dinheiro. Muita gente tinha usado o FGTS para comprar a casa própria.

Para aqueles que não tinham saldo no FGTS havia a possibilidade de investir por meio dos FMP Carteira Livre. Quem sacou da caderneta de poupança, por exemplo, e entrou em um fundo desses hoje comemora: no mesmo período (de 2000 para cá), a caderneta rendeu 128,33%.
O FGTS então, todo mundo sabe que rende menos que a caderneta. Só para lembrar, o dinheiro lá depositado em 2000 cresceu 65,3% até agora.

Mas estamos olhando o passado a partir da perspectiva atual. Não dá para condenar quem há dez anos estava inseguro quanto a investir em Petrobrás.

As pessoas que decidiram correr o risco do mercado de ações confiando na força de uma gigante como a Petrobrás tiveram que conviver com variáveis que vão de risco de ingerência política (afinal é uma empresa controlada pelo governo) ao cenário econômico, que influencia o desempenho das empresas e, por consequência, de suas ações.

As boas perspectivas de longo prazo estão entre os fatores positivos mais citados pelos especialistas para a participação na atual oferta da Petrobrás. Mas os lucros da operação do petróleo da camada pré-sal devem começar a vingar apenas a partir de 2015, por exemplo.

Entre os aspectos negativos estão o risco político e as incertezas em relação à tecnologia, ainda inexistente, para explorar o petróleo em águas ultraprofundas.

Decidir participar da capitalização da empresa pode ser mais fácil hoje, porque temos o exemplo de quem investiu há dez anos, mas é importante ter em mente que o ganho do passado não é garantia de rentabilidade futura. E, nunca é demais lembrar, trata-se de um investimento de longo prazo.

Denise Juliani

(publicado no Jornal da Tarde)

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