Poupadores natos. Outros nem tanto…

Denise Juliani

20 de agosto de 2012 | 18h03

 

Existem pessoas que são poupadoras por natureza. E também há aquelas que aprenderam desde cedo no ambiente familiar a cultivar o saudável hábito de guardar dinheiro.

É fácil reconhecer: desde criança administram bem a mesada e, quando adultos, fazem verdadeiros milagres financeiros com o salário, independentemente de quanto ganham.

Mas o mundo não é feito apenas de poupadores natos. Entre eles e os verdadeiros perdulários há uma gama enorme de pessoas que têm dificuldade de guardar dinheiro. Em boa parte, isso se deve à falta de educação financeira do brasileiro.

Não temos o costume de falar de dinheiro e há até quem ache que o assunto não deve ser abordado na frente das crianças. Devido a esse tipo de crença, gerações cresceram sem saber lidar direito com as questões financeiras.

Mas isso está mudando. O recente ciclo de prosperidade vivido pelos brasileiros contribuiu para ampliar o debate em torno do tema. Tudo bem que começamos a falar do assunto pelo motivo errado: a farra do consumo e a falta de experiência dos consumidores fizeram os índices de inadimplência saltarem, principalmente entre os jovens, e aí foi preciso parar para pensar em como reverter essa situação.

É hora de aprender a lidar com o dinheiro para fazer sobrar e conseguir investir. Muitas escolas já têm programas destinados a ensinar as crianças a importância de poupar.
Mas o que é poupar? De acordo com o especialista Álvaro Modernell, há uma sutil diferença entre economizar e poupar.

Segundo ele, economia se faz reduzindo gastos em alguma coisa, porém sem se importar com o destino do que foi economizado – se será gasto com alguma coisa no futuro ou mesmo desperdiçado. “Seria como economizar no almoço para gastar no jantar”, diz.

Já a poupança é feita com objetivos definidos, “geralmente associados à acumulação de patrimônio ou à realização de sonhos, normalmente não imediatos”. Ou seja, economia e poupança começam com a decisão de deixar de adquirir um produto ou serviço hoje, mas diferem no objetivo.

Pechinchar na aquisição de um bem ou serviço significa economia quando já se tem o dinheiro reservado para o negócio (nada de tomar crédito). Mas, é preciso cuidado com as armadilhas. Se não houver a disposição de poupar o dinheiro economizado, o cliente pode até gastar mais do que pretendia, levando algo supérfluo só porque ficou animado com o desconto que obteve na outra compra.

Por isso é importante que o gasto postergado esteja ligado à ideia de realizar algo no futuro.Se houver uma meta que anime o consumidor a abrir mão de algo que gostaria de fazer agora em troca de algo maior lá na frente, fica mais fácil para os que não são “poupadores de carteirinha” conseguirem dar os primeiros passos nas artes da poupança.

Denise Juliani

(publicado no Jornal da Tarde em 20/08/2012)

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