Poupar e gastar, duas lições importantes

Denise Juliani

08 de outubro de 2012 | 15h15

 

Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) realizada nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal mostra que 71% dos brasileiros pretendem comprar presentes para o Dia das Crianças. Entre os 29% que não irão às compras, 35% disseram que não têm a quem presentear e 25% que estão sem dinheiro.

O levantamento mostrou ainda que 80% dos consumidores brasileiros pretendem pagar o presente do Dia das Crianças à vista. O pagamento em dinheiro deve ser feito por 63% dos consumidores e 12% planejam usar o cartão de crédito em parcela única. O cartão de crédito parcelado deve corresponder a 16% e o cartão de débito, a 5%.

Entre os que vão presentear as crianças, 74% deixaram para fazer as compras em cima da hora. Ou seja, a grande maioria não se planejou. Este é um hábito muito forte entre os brasileiros, em parte, devido à falta de educação financeira na infância.

Aí chegamos ao ponto que queria abordar: porque não aproveitar a data para presenteá-las com algo que servirá para toda a vida? O Dia das Crianças, comemorado na próxima sexta-feira, 12 de outubro, é uma ótima oportunidade para tratar da educação financeira dos pequenos.

É claro que criança quer ganhar brinquedo – embora algumas, principalmente meninas maiorzinhas, já declarem preferência por roupas e acessórios. E nem estou dizendo para deixar isso de lado.

Segundo os educadores financeiros, não há problema em presentear as crianças, mas pedem aos pais que prestem atenção na mensagem que estão passando e sua contribuição para a formação de seus filhos.

O ideal é evitar exageros: presentes caros deveriam ser reservados para o dia do aniversário, por exemplo. E nada de se endividar só para fazer o gosto da criança.
Mais do que dar presentes e mimar, é tarefa dos pais e, na falta deles, dos responsáveis, preparar as crianças para a vida e as questões financeiras fazem parte do pacote.

É chato falar de dinheiro e do valor das coisas? Pode ser, mas deixar de abordar o assunto fará falta mais à frente.

Crianças a partir de três anos de idade já podem receber as primeiras lições sobre o mundo das finanças pessoais. E sempre de maneira simples e divertida, com jogos e brincadeiras.

A partir dos nove anos já é possível introduzir conceitos econômicos e ajudar o pequeno a definir seus planos de longo prazo: quanto guardar por mês, por exemplo, para comprar um bem de maior valor, ou gastar à vontade nas férias.

As crianças precisam aprender desde cedo duas lições relacionadas ao dinheiro: é importante poupar e é importante gastar. Afinal, o propósito do dinheiro é ser usado. Quando, como e onde é seu dono quem decide.

Denise Juliani

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