Preparado para o risco?

Denise Juliani

27 de setembro de 2010 | 17h02

A mega oferta pública da Petrobrás foi o assunto mais quente das últimas semanas e acendeu o apetite de muita gente pelo mercado de ações. Mesmo quem não pode usar o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para participar decidiu colocar a mão no bolso para não perder a oportunidade. Como a procura foi grande, os investidores individuais não conseguiram levar tudo o que pediram. O rateio oficial sai amanhã, mas estima-se que será de 45,77%. Assim, quem queria aplicar R$ 1 mil, por exemplo, ficará com o equivalente em ações a aproximadamente R$ 457,70.

Mesmo investindo menos que o esperado, aqueles que fizeram sua primeira incursão no mercado de ações (por meio da compra direta ou da aplicação em um fundo) podem encarar o episódio como um aprendizado.
Quem teve o interesse despertado pela operação da estatal e quiser incluir este tipo de aplicação em sua carteira de investimentos pode se preparar porque novas ofertas públicas estão no forno. Das sete que estão em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, quatro são de empresas que atuam no setor de petróleo.

É claro que há uma grande diferença entre a Petrobrás, conhecida e testada pelo investidor, e as novas companhias que chegam, mas todas estão em busca de recursos de olho na expansão que a atividade petrolífera vai vivenciar nos próximos anos no Brasil.

 

Plano de voo

Apesar de o cenário se mostrar favorável, é muito importante que o investidor tenha em mente seu plano de voo. Muito provavelmente, na hora da reserva das ações foi preciso preencher a Análise do Perfil do Investidor (API), um questionário criado pelo próprio mercado (bancos e corretoras).

O objetivo do teste é mapear as características do investidor principalmente quando ele pretende aplicar em ativos de renda variável (de maior risco). Isso é feito para evitar a entrada em ativos incompatíveis com os objetivos e a capacidade de suportar perdas, inerente ao mercado de ações.

A API é uma ferramenta útil ao planejamento das finanças pessoais. No site dos principais bancos há uma área de investimentos e é lá que se encontra o questionário. Ele cruza informações como a idade do investidor, sua compreensão do que seja risco no mercado financeiro e o horizonte da aplicação. O resultado sai na hora e mostra qual a porcentagem dentro da carteira total do investidor que deve ser destinada para cada tipo de ativo.

Neste quesito, a divisão clássica de perfis de investidor é a seguinte: conservador, moderado e agressivo. O conservador é o que menos suporta risco. Para ele, só renda fixa, sendo a caderneta de poupança o mais indicado. O moderado tem a maior parte do dinheiro ancorada em renda fixa (o que inclui a caderneta), mas permite umas pinceladas de renda variável. O agressivo tem boa parte do capital investido em ativos de renda variável. Para estes dois últimos, a proporção de risco maior (ou seja, renda variável) dependerá de alguns fatores, onde o tempo de maturação do investimento tem peso relevante.

Se você se animou com a oferta da Petrobrás e pretende entrar (ou ampliar seus investimentos) no mercado de ações, é imprescindível medir seu apetite a riscos. O questionário pode ser o primeiro passo.

Vem mais por aí

Das ofertas públicas em análise na CVM, quatro são do setor de petróleo: HRT (atua na Bacia do Rio Solimões), Repsol Brasil (da espanhola Repsol), Karoon (australiana, opera na Bacia de Santos), Norskan (norueguesa, presta apoio marítimo para o setor de petróleo e gás). As outras são: Sonae Sierra Brasil (construção e administração de shoppings), Brasil Insurance (seguros) e Autometal (fornece ao setor automotivo).

Proteção

A API começou a valer este ano e deve respondê-la quem investir em fundos de ações, multimercados ou de renda fixa com crédito privado. A ideia é que tanto o cliente quanto os bancos fiquem mais protegidos. Os primeiros porque, em tese, não escolherão produtos que tenham um nível de risco acima do que estão dispostos a correr. Os bancos evitam ser acionados por investidores que eventualmente tenham perdas.

Denise Juliani

(publicado no Jornal da Tarde)

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