Seu fundo de renda fixa está com o risco ajustado?

Denise Juliani

10 de setembro de 2012 | 17h25

Está mais do que na hora dos investidores com aplicações no mercado de renda fixa começarem a rever suas posições. A taxa básica de juros (Selic) deve chegar ao final do ano em 7,25%, segundo projeções do mercado financeiro. Hoje está em 7,5% ao ano, depois da redução anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na reunião de agosto.

Principalmente os investimentos de longo prazo, feitos com o propósito de formar patrimônio, terão de ser acompanhados muito de perto. Tudo o que tiver um horizonte superior a 10 anos vai precisar passar por uma avaliação e, eventualmente, assumir um pouco mais de risco.

Como regra geral do mercado financeiro, aplicações menos arriscadas remuneram menos o capital investido do que as opções mais ousadas. O “prêmio” de quem assume um risco mais alto é uma remuneração maior. Isso porque a possibilidade de perder tudo ou parte do se que investiu precisa ser compensada com a expectativa de um ganho polpudo, para atrair aplicadores.

Quem aplica em fundos de renda fixa conservadores está colocando seu dinheiro em títulos do governo com baixíssimo risco. Mas existem fundos de renda fixa que direcionam parte das aplicações a papéis privados, também seguros, mas com uma pitada de pimenta. São emitidos por bancos e empresas – os maiores e mais sólidos pagam juros ligeiramente acima dos títulos públicos. Os títulos públicos são o parâmetro, também chamados de livres de risco (não são exatamente isentos de perigo, mas são quase risco zero). Assim, as instituições privadas maiores são também chamadas de “primeira linha”.

Bancos e empresas menores e menos sólidos precisam pagar juros maiores para atrair capital. São chamados de “segunda linha”. Quanto mais papéis de risco zero e de primeira linha na carteira, mais baixo o rendimento. Este vai subindo de acordo com a presença de papéis de segunda linha do portfólio (não confundir com as ações de primeira e segunda linha, pois tratamos aqui de papéis de renda fixa).

Como se vê, os fundos de renda fixa podem ser muito diferentes entre si e o investidor precisa saber onde exatamente está sendo aplicado seu dinheiro. Se o rendimento for muito superior ao de fundos do mesmo grupo, é importante verificar se não há uma exposição excessiva a papéis menos seguros. Não há problema em investir nesses papéis, desde que você saiba disso, até para medir se o prêmio está ajustado ao risco, ou seja, se a relação custo/benefício compensa.

E por que isso é importante? Porque se você quiser assumir riscos maiores e ganhos igualmente maiores, há outras opções no mercado. O pequeno investidor começa a ser apresentado aos fundos multimercado, que são alternativas de maior risco, mas ainda dentro da renda fixa. São fundos que combinam investimentos em vários ativos como renda fixa, ações, câmbio e também usam derivativos para alavancar suas aplicações ou proteger a carteira (hedge).

Os fundos multimercado sem renda variável aplicam em renda fixa e em câmbio. Os multimercados sem renda variável, mas com alavancagem, são aqueles que não investem em ações, mas se utilizam de derivativos. Também há os fundos multimercado com renda variável, que aplicam apenas no mercado à vista de ações. E os multimercados com renda variável e alavancagem são os de maior risco.

As operações de alavancagem dos fundos multimercados são feitas com contratos de derivativos, no mercado futuro. Alavancar é usar ativos ou recursos de terceiros para aumentar o retorno final dos investidores além do que seria obtido com os recursos originais. Seu risco é alto, pois assim como pode, por exemplo, triplicar o ganho, também pode triplicar a eventual perda.

Vale a pena pesquisar.

 

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