Uma reserva para tempos difíceis

Denise Juliani

20 de junho de 2011 | 20h29

O que você faria se de um dia para o outro perdesse sua fonte de renda? Teria uma reserva financeira suficiente para bancar quantos meses de seus gastos? É difícil de acreditar, mas muita gente não se preocupa com essa questão.

Para quem é assalariado, a existência do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é motivo para não esquentar a cabeça com uma eventual demissão. Além de poder sacar o dinheiro do Fundo, há a multa de 40% em caso de demissão sem justa causa. Essa grana com certeza dará um alívio até que o agora desempregado encontre uma nova colocação.

Fora isso, há o seguro-desemprego, que garante um reforço extra por até cinco meses na receita de quem é demitido.
É claro que atualmente, com o emprego ainda em alta, a recolocação ocorre mais facilmente. Segundo especialistas, o tempo que profissionais qualificados levam para conseguir um novo trabalho está se reduzindo ano a ano.

O mercado gosta de usar um cálculo onde o tempo de recolocação é diretamente proporcional ao ganho. Para cada R$ 1 mil de salário, o tempo de procura sobe um mês. Assim, uma pessoa que ganhasse R$ 1 mil demoraria um mês para achar um novo emprego, quem tivesse rendimento de R$ 3 mil levaria três meses. Já quem ganhasse R$ 5 mil precisaria esperar cinco meses, em média.

Mas levantamento do site Curriculum.com.br mostra que mais de 45% dos trabalhadores na faixa salarial entre R$ 2 mil a R$ 3 mil levam hoje entre 30 dias a 60 dias para conseguir um novo emprego. Porém, o fato de agora ser mais fácil conseguir um novo emprego do que há alguns anos não é desculpa para descuidar das finanças.

Mesmo com toda a proteção que o emprego com carteira assinada proporciona ao trabalhador, a formação de uma reserva para tempos difíceis precisa estar no planejamento financeiro.

Se para o assalariado esta é uma condição importante, imagine então para aqueles que não têm um emprego formal. Muita gente trabalha como autônomo outros dão nota fiscal – o cada vez mais comum PJ (pessoa jurídica). Neste caso, é mais importante ainda não deixar para depois a constituição de uma reserva financeira. Sem o benefício do FGTS e das multas rescisórias, o autônomo ou PJ está ainda mais exposto ao risco de uma queda na receita em caso de dispensa.
Uma conhecida minha enfrentou essa situação recentemente. Prestava serviço há mais de cinco anos para uma empresa e o contrato foi encerrado. A multa que ela recebeu equivalia a um mês de trabalho.

Previdente, todos os meses ela separava 10% do que ganhava e aplicava na caderneta de poupança, a opção mais conservadora do mercado. Em cinco anos, conseguiu formar um bom colchão financeiro que a permitiu dormir tranquila até encontrar uma nova fonte de renda. E voltar a poupar, é claro.

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