Use o tempo a seu favor

Denise Juliani

18 de junho de 2012 | 17h38

No elevador, no restaurante, no estacionamento. Por todo o lado, a queixa é a mesma: “não tenho tempo pra nada”.

A falta de tempo é uma das principais “desculpas” que todos nós usamos vez ou outra para justificar a não execução de uma tarefa, a postergação de atividades para melhorar a qualidade de vida ou para progredir na carreira.

A sensação de que tudo está cada vez mais acelerado é algo natural nos tempos modernos, principalmente quando se vive em uma cidade grande como São Paulo. O trânsito, por exemplo, nos rouba um tempo precioso. Pesquisa do IBGE divulgada em abril mostra que um a cada quatro moradores da cidade perde de uma a duas horas no trajeto para o trabalho, isso sem contar o tempo da volta.

E a tendência é piorar. Como então, fazer tudo o que se deseja e precisa dentro das mesmas 24 horas de um dia? Para especialistas em gestão de tempo, a palavra-chave é organização.

Uma dica prática do especialista da consultoria M&S Alan Cordeiro é separar as tarefas entre urgentes e não urgentes e importantes e não importantes.

A partir daí, listar as tarefas e atividades que pretendemos realizar ao longo de uma semana ou um mês, por exemplo, e elaborar um planejamento, identificando o grau de importância e o prazo que você tem para realizá-las sem que elas se tornem urgentes. “Assim evitamos estar sempre apagando incêndios no nosso trabalho.”

Segundo ele, quando uma tarefa se torna imprescindível, temos que atendê-la de imediato, mas deixar outras tarefas que também são importantes para depois pode fazer com que elas logo virem urgentes.

“Todas aquelas pessoas que você conhece que parecem resolver milhões de coisas não têm o dom inato de lembrar datas, dar atenção à vida familiar ou priorizar o trabalho. Elas apenas dominam técnicas e estratégias que você não domina”, diz o escritor britânico Richard Templar, em seu livro As 100 melhores ideias para terminar o dia com a sensação de missão cumprida (Editora Saraiva).

Ele destaca que a principal barreira para se tornar alguém mais organizado é a autoimagem que muitas vezes temos de nós mesmos. Ser desorganizado seria uma característica de pessoas espontâneas, intuitivas e bem mais interessantes. E, por oposição, tendemos a achar as pessoas organizadas chatas, sérias, caretas, desanimadas e previsíveis.

“Isso apesar de provavelmente termos amigos e familiares organizados que não são nenhuma dessas coisas, mas que, ainda assim, conseguem embarcar em um voo sem ter de correr desesperados.”

Segundo Templar, não é preciso mudar sua personalidade, basta mudar sua atitude, incorporando técnicas para poupar seu tempo. Para começar, identifique tudo o que pode ser feito mais rápido: ao optar por uma refeição simples, em vez de fazer uma receita complicada, você pode economizar pelo menos meia hora.

“Talvez você possa delegar alguma tarefa no trabalho, lidar com aquele tagarela por e-mail e não por telefone ou organizar um cronograma compartilhado com outros pais para levar as crianças à escola”. E esteja sempre alerta para identificar tarefas que possam ser aceleradas.

Denise Juliani

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