A principal atitude para investir bem para a aposentadoria

Sílvio Guedes Crespo

05 Junho 2018 | 07h37

A atitude fundamental para quem quer investir fazer o dinheiro render mais a longo prazo é abrir conta em pelo menos uma corretora de investimentos.

Esta é a minha visão sobre o assunto e neste artigo eu vou explicar por quê. O que vou falar é parte de um conteúdo que apresentarei com mais profundidade na Semana da Aposentadoria.

Antes de qualquer coisa, preciso deixar claro que não trabalho para nenhum banco ou corretora e também não recebo patrocínio nem qualquer tipo de incentivo de qualquer instituição financeira. Meu trabalho é simplesmente ajudar as pessoas a investirem de acordo com os seus próprios interesses.

Pois bem. Ter conta em uma corretora é essencial porque os grandes bancos tradicionalmente vendem os produtos investimentos deles próprios, enquanto as corretoras vendem produtos dos outros.

O banco é como uma loja que só vende roupas da sua própria marca, enquanto a corretora é um supermercado em que você pode escolher produtos de diversas marcas.

Isso faz uma diferença brutal nos investimentos de uma pessoa física.

Por exemplo, em um grande banco, em geral você só vai encontrar CDBs emitidos pelo próprio banco. Em raros casos você vai encontrar em um grande banco um CDB com rentabilidade acima de 95% do CDI.

Já em uma corretora você encontra CDBs de diversos bancos diferentes e assim pode comparar e escolher o que melhor se encaixa para o seu objetivo e o seu perfil de risco. E é muito comum nas corretoras o CDB ter uma rentabilidade acima de 110% do CDI.

A mesma coisa ocorre com outros investimentos, como LCA, LCI, CRI, CRA, debêntures e fundos de investimento. Além disso, para aplicar no Tesouro Direto, hoje em dia grande parte das corretoras não cobra taxa de administração para pessoas físicas, enquanto os grandes bancos cobram de 0,3% a 0,5% ao ano.

Para todos esses tipos de investimento, em uma corretora você tem a possibilidade, em uma corretora, de encontrar opções mais rentáveis.

Para investimentos de longo prazo, isso faz uma diferença grande. Por exemplo, investindo R$ 1.000 por mês em CDBs com rentabilidade de 90% do CDI, após 20 anos você teria aproximadamente R$ 280 mil. Já em um CDB com rentabilidade de 115% do CDI, você teria R$ 326 mil. São R$ 46 mil a mais na sua conta bancária.

Essa simulação já desconta a inflação. Ou seja, estou trazendo os números para preços de hoje. No futuro, você tende a ter um resultado maior do que R$ 280 mil e R$ 326 mil, respectivamente, mas, trazendo para preços de hoje, esse é o retorno que você tende a ter.

Os dados consideram o cenário atual de inflação e juros.

É preciso entender que um CDB que paga 115% do CDI em geral tem um risco maior do que o de um grande banco. Mas o caso é que, se você não tem conta em uma corretora, você não tem nem sequer a chance de escolher essa possibilidade. Não pode nem incluir aplicações como esta para compor parte da sua carteira de investimentos.

Vale dizer também que o CDB é apenas um exemplo. Em uma corretora você consegue encontrar fundos de investimento com taxa de administração inferior a 1% ao ano que aceitam investimento inicial de R$ 10 mil ou menos.

Resumindo, em um grande banco você dificilmente encontra a variedade de investimentos necessária para compor uma carteira com objetivo de aposentadoria – e os que encontra, em geral têm uma taxa maior, o que reduz o seu ganho a longo prazo.

Se eu deixasse todos os meus investimentos no banco, teria muito menos possibilidades de fazer meu dinheiro render mais.

Porém, é preciso fazer uma ressalva. Tanto no banco quanto na corretora você vai encontrar conflitos de interesse. Assim como o gerente do banco, o assessor de investimentos “gratuito” oferecido pela corretora ganha dinheiro em geral de acordo com o tipo de investimento que você escolhe. Ou seja, um investimento que dê mais dinheiro para ele não necessariamente será o que melhor se encaixará na sua necessidade.

Antes de tomar uma decisão de investimento, se você ouvir a opinião de um especialista isento (sem ligação com bancos ou corretoras), a tendência é que você consiga entender melhor se tal aplicação é a melhor para você ou não.

Para terminar, um recado: a partir do dia 11 de junho será realizada a 2ª Semana da Aposentadoria, um evento online gratuito no qual vou compartilhar uma série de informações que eu aprendi ao longo da vida e que foram fundamentais para eu criar a minha própria carteira de investimentos para aposentadoria. Além disso, durante o evento estarei à disposição para responder perguntas. Para participar, é preciso fazer inscrição (gratuitamente) clicando aqui.