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Bitcoin despencou? Cuidado para não piorar as coisas

Sílvio Guedes Crespo

17 de janeiro de 2018 | 18h10

Escrevo neste espaço aqui no Estadão somente às terças-feiras. Mas desta vez aconteceu algo excepcional e vejo necessidade de manter atualizadas as pessoas que acompanham meu experimento chamado Cripto20.

Para você que chegou agora, Cripto20 é o nome que dei ao experimento que estou fazendo de investir em 20 criptomoedas diferentes – inclusive o bitcoin (entenda o bitcoin em 1 minuto).

Comprei essas criptomoedas no último dia do ano passado. No dia 16 de janeiro, publiquei nesse espaço a primeira atualização dos números, referente aos 15 dias anteriores. Até o momento, a carteira estava assim: alta acumulada de 17%, enquanto o bitcoin havia caído 4,65% no mesmo período.

Porém, no dia em que o artigo saiu, caiu uma tempestade no mundo das criptomoedas. A situação da Cripto20 então se inverteu. Na metade da tarde de hoje, a carteira estava já com uma queda acumulada de 23,1%, em relação ao momento em que eu a criei. No mesmo período, o bitcoin caiu 28%.

Algumas das moedas em que investi tiveram alta no período, apesar do dilúvio. O ethereum, por exemplo, subiu 14%; e a NEO, 38%. Essas e outras criptomoedas contribuíram para que a carteira como um todo tivesse uma queda menos acentuada que a do bitcoin (veja a carteira completa com os dados atualizados).

O QUE FAZER?

Antes de saber o que fazer quando se compra uma criptomoeda e ela começa a despencar, é preciso saber o que não fazer. Uma coisa que tem funcionado para mim é não agir por impulso – por medo de cair mais, por desespero etc.

Em primeiro lugar, vale a pena refletir: você acredita mesmo na criptomoeda em que está investindo? Você conhece a revolução que está por trás delas?

O bitcoin simplesmente permite que as pessoas façam transações entre elas sem precisar da intermediação de um banco e sem precisar passar pela burocracia estatal. Isso é uma revolução fenomenal.

Ora, mas então por que o bitcoin caiu tanto? Bom, antes de responder isso, é preciso responder outra pergunta: por que tinha subido tanto?

O bitcoin subiu vertiginosamente em 2017 não porque estava sendo amplamente adotado e utilizado como meio de troca. O comércio não aceita bitcoin, a não ser um ou outro estabelecimento, por engajamento.

A alta do bitcoin ocorreu, primeiramente, quando um número cada vez maior de pessoas começou a entender a reviravolta que esta criptomoeda poderia provocar no sistema financeiro, nas remessas internacionais de valores, na economia e na vida das pessoas.

Assim, conforme as pessoas iam descobrindo o potencial do bitcoin, muitas já iam comprando, para “se garantir” quando a criptomoeda começasse a ser mais usada.

Com o aumento da demanda, houve o aumento de preço do bitcoin. Isso foi acompanhado de cada vez mais notícias sobre pessoas que enriqueceram da noite para o dia com a moeda virtual.

Consequentemente, aumentou ainda mais a procura pelo bitcoin (e depois outras criptomoedas), até chegarmos a um ponto em que muita gente estava comprando sem entender direito por quê. Compravam simplesmente porque estava subindo.

E quem compra porque está subindo tem grandes chances de vender quando está descendo. Em outras palavras, essas pessoas tendem a comprar na alta e vender na baixa.

Por isso eu digo: se você comprou bitcoin ou qualquer criptomoeda porque estava subindo, ou sem saber direito por quê, você já errou. Não cometa agora o segundo erro, o de vender porque sem saber por quê. Se fizer isso, a tendência é que você não fique satisfeito com a decisão tomada.

O correto é primeiro saber se, para o seu nível de tolerância ao risco, o ideal é vender agora ou não. E como você faz isso? Falei disso em outro artigo. Para ler, clique aqui e vá até os seguintes itens: “Como lidar com a volatilidade das criptomoedas”, “Investir ou não investir” e “E quem comprou na alta?”.

E se você quer acompanhar a evolução da minha carteira de criptomoedas, você pode receber atualizações por e-mail clicando aqui.

 

 

 

 

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